quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A chafurda que viramos

Vejo os jovens do meu País vendo este “Biguibroder”. Não, eu não errei, não. É assim que quero escrever este “troço”. E é isso mesmo que quis dizer, este “troço”.
Vejo também meus pares, meus colegas, minha geração e até a que me antecedeu, ou seja, meus pais e avós e conhecidos, todos consumindo o tal “Biguibroder” na Globo.
Será que eu estou ficando louco?! Não é possível que só eu (ou quase só eu) ache e diga que o tal programa é um excremento cultural, um achincalhe às pessoas, uma forma explícita de esculhambar com o resto de bom senso que ainda existe por aqui.
Outro dia, fiquei observando aquilo, durante uns minutos. O Pedro Bial – que espero estar enriquecendo ao se prestar àquele papel (só assim consigo admitir o que faz um sujeito com o perfil dele topar este estupro profissional). Vi e ouvi o Bial perguntando a um coitado daqueles o seguinte: “o que é mais importante numa mulher, a cabeça ou a bunda?” Foi isso mesmo. Leiam mais uma vez! Foi isso mesmo. Pior: olhei para as pessoas da sala e ninguém ficou estarrecido como eu. Nem as mulheres presentes! Imagino que o País reagiu assim também.
Bem, num lugar onde dizem que funk é essa batida imperfeita e débil mental, rodeada de bundas estufadas e todo tipo de baixaria possível.... (acho que nunca ouviram a Sandra de Sá, a Fernandinha Abreu , o Tim Maia, e nem sabem quem foi James Brown, Earth Wind & Fire, KC & Sunshine Band, Rick James, Chaka Khan, ou até Michael Jackson e Prince (que já fizeram maravilhas com o funk...), Maceo Parker e Melvin Parker, pra falar de alguns).
Este pessoal do “Biguibroder” também deve achar que pagode é este lixo que tocam nas rádios, feitos de melodias e arranjos previsíveis e pobres, uma agressão sem vergonha alguma aos mestres Paulinho da Viola, Zeca, Beth Carvalho e tantos outros.
Meus amigos e leitores. Não posso admitir que estou fora da casinha. Não é possível! Mas tenho a nítida impressão que estou.
Que País é esse, que não consegue preservar nem o “trema” em sua escrita?
Onde anda o Chico e o Milton numa hora dessas?!!!

4 comentários:

J.L.CIBILS disse...

Marcelo, nao estas só, em época de ditadura, nós esbravejavamos contra tudo e todos,gritando "ABAIXO A CENSURA" quero deixar claro que sou contra tudo aquilo que ficou para tras, mas nao se pode anular muita coisa nao, é como se diz "pimenta nos dos outros é colirio, nomeu nao".
Mas vamos ao que interesa, em minha casa tenho tres televisores, sou bem democratico....até serto ponto,
a censura começa quando esta aberraçao insiste em querer fazer uma lavagem cerebral em todos em meu lar.
Baixei uma norma, programa que tenha conotaçao de baixaria, passa pelo crivo do censor, Eu.
Pode me chamar de qualquer coisa, nao to nem ai, lá nao entra.
É isto ai marcelo, to com tigo, nao estas sozinho.

Marcelo Fernandes Corrêa disse...

Meu irmão Cibils,
te agradeço a solidariedade, neste momento de loucura (da Série "será que estou ficando louco?"...).
Volto ao tema, em breve.
Valeu a presença.
um abraço.

NEWTON JUNIOR disse...

Caro Marcelo, uma vez estava assistindo o Manhattan Connection na GNT em que o próprio Pedro Bial tirava sarro das pessoas que assistiam ao Big Brother...só faltou chamar o público que assiste de burro e desocupado! Mas...o fenômeno de audiência deste programa não é só no Brasil, é no mundo inteiro! Talvez porque existe um grande universo de pessoas que se preocupam DEMAIS com a vida dos outros.

Helio disse...

Eu também estou fora da casinha faz muuuito tempo. Parecido com você.
Abraços e continue lúcido.

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