segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SC barrada no baile do pré-sal?

Teremos mesmo uma nova empresa para administrar a exploração do pré-sal. A Petrosal. Os sindicalistas petroleiros acham isso uma bobagem, mais um cabide de empregos para os amigos do rei. Garantem que a Petrobrás poderia muito bem fazer isso. Mas esse é um outro assunto.

O que quero ressaltar é que Santa Catarina começa mal neste debate sobre o pré-sal. Ontem o presidente Lula ofereceu um jantar no Palácio da Alvorada, reunindo o ministro Lobão e os governadores Sérgio Cabral (RJ), José Serra (SP), e Paulo Hartung (ES), para discutir os royalties da exploração da área do pré-sal.

Só um pouquinho! Não estão faltando convidados neste jantar? O pré-sal começa no Espírito Santo e vem até Santa Catarina. Cadê Luiz Henrique e Roberto Requião nessa “boquinha livre”? Será que seremos garfeados de novo?

O Governo Federal fez um movimento inicial de mexer na partilha dos royalties. Recuou, pela pressão dos cariocas e capixabas. Por hora fica como está.

Lembro que há uma briga entre SC e PR sobre a distribuição de royalties, que tramita há mais de 20 anos na Justiça. Esta, pelo andar da carruagem, já perdemos. Será que vamos para o vinagre mais uma vez?

Se depender da nossa unidade e força política em Brasília, não vamos bem. Faz nove meses que o Porto de Itajaí, destruído pelas enchentes, espera por obras e pela superação da burocracia federal. Semana passada o governador LHS foi à Brasília e obteve promessa de solução do ministro dos Portos, enquanto a senadora Ideli trabalhava em outra direção, querendo que a engenharia do Exército fizesse a recuperação do Porto, a custos menores e sem as irregularidades que acredita ter no pouco que já foi feito em Itajaí, garante a parlamentar petista.

Uma nítida desarticulação entre o governador e a senadora, por razões bem evidentes. Quem perde é o Estado.

Será que no caso do pré-sal vamos repetir esta fragilidade política?

domingo, 30 de agosto de 2009

Gripe A invadirá o verão

Acabei de ler só agora (a edição é de 17 de agosto) uma entrevista da revista Época, com Marie-Paule Kieny, da OMS, sobre a Gripe A. A gente fala, fala, mas passa batido por informações que nos dariam outro olhar ao ler, ver e ouvir os noticiários e as nossas autoridades de saúde.

Na dúvida se apenas eu cheguei atrasado nesta importante matéria de Época, transcrevo aqui a íntegra da entrevista que está disponível na Web. Vale conferir.


A pandemia invadirá o verão

A diretora de vacinas da OMS diz que a gripe não acabará após o inverno. Seguirá ininterrupta até 2010

Por Peter Moon

Ao contrário da gripe comum, a gripe suína não deu trégua no verão do Hemisfério Norte. “Esperava-se que a pandemia prosseguisse no verão. Esse padrão deve-se reproduzir no Hemisfério Sul”, diz Marie-Paule Kieny, de 54 anos, diretora de vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS). A pandemia é causada por um vírus novo, contra o qual ninguém possui defesa. A única solução é a vacina. Enquanto ela não vem, diz Kieny, os brasileiros terão de conviver com a pandemia no verão de 2010.

QUEM É

A infectologista francesa Marie-Paule Kieny dirige o Centro de Pesquisa de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra

O QUE FAZ

Coordena a corrida mundial para produzir a vacina da gripe suína

O QUE FEZ

Criou a vacina antirrábica para animais selvagens que erradicou a raiva nos Estados Unidos e na Europa

ÉPOCA – Quando haverá vacina?

Marie-Paule Kieny – Já existe um número limitado de vacinas que estão sendo usadas em testes clínicos na Europa, nos Estados Unidos e na China para aferir sua eficácia. A expectativa é que licenciemos a nova vacina até o fim de setembro. Tão logo ela seja licenciada, as fábricas poderão iniciar a produção.

ÉPOCA – Uma dose será suficiente?

Kieny – Ainda não sabemos. A resposta depende do resultado dos testes clínicos. Talvez baste uma dose, talvez seja preciso duas. Nesse caso, também ainda não sabemos qual será o intervalo entre cada aplicação para atingir a imunização total.

ÉPOCA – Os Estados Unidos vacinarão metade da população. O Brasil deverá vacinar 100 milhões?

Kieny – Essa é uma decisão de cada governo, baseada em sua estimativa de pessoas que fazem parte dos grupos de risco, cuja vacinação é prioritária. A única diretiva da OMS é dar prioridade ao pessoal médico que atende os doentes.

ÉPOCA – Serão vacinados todos os americanos com menos de 24 anos e mais de 65 anos. Mas, no Brasil, 65% dos mortos por gripe suína tinham entre 20 e 45 anos.

Kieny – Esse é um vírus novo. Seu comportamento é imprevisível. No México, houve um grande número de mortes entre adultos jovens. Até o momento, os maiores grupos de risco continuam sendo as gestantes e os portadores de doenças crônicas. Ampliar ou não o público-alvo da vacina é uma decisão de cada governo.

ÉPOCA – O Brasil tem a única fábrica de vacina de gripe da América Latina, capaz de fazer até 30 milhões de doses ao ano. Chile e Argentina querem a vacina. Devemos fornecer antes de vacinar os brasileiros?

Kieny – É uma decisão muito difícil. Os governos dos países com fábricas terão de avaliar a decisão a tomar. Será uma decisão política. Não haverá vacina para todos. Se for necessário duas doses, a capacidade mundial de produção só atende 1 bilhão de pessoas. Somos 6,8 bilhões.

ÉPOCA – Na semana passada, o governo brasileiro anunciou que a prioridade é a vacina pandêmica. Ela começará a ser feita em outubro. Ainda faz sentido produzir vacina comum?

Kieny – Eu me pergunto isso diariamente. O novo vírus A(H1N1) está canibalizando o vírus da gripe comum – mas esse ainda existe. A orientação da OMS em fazer ou não vacina comum para o inverno de 2010 no Hemisfério Sul sairá em setembro. Dependendo dos dados epidemiológicos, talvez se conclua não haver necessidade da vacina comum – só da pandêmica.

ÉPOCA – A gripe suína não deu trégua no verão do Hemisfério Norte. Aqui será igual?

Kieny – O A(H1N1) é um vírus novo. Ninguém tem imunidade. Já se esperava que a pandemia prosseguisse no Hemisfério Norte no verão. Esse padrão deverá se reproduzir no Hemisfério Sul. Na primavera, o número de casos deverá cair, mas a gripe não vai desaparecer. A pandemia invadirá o verão. Vamos ter de conviver com o vírus até a chegada da vacina.

sábado, 29 de agosto de 2009

Amin e Cavalazzi juntos eternamente

Aqui vai mais uma do fundo do baú. Em 1987, foto de O Estado. Em frente ao “Ponto Chic”, na Felipe Schmidt, no centro da Capital, Esperidião Amin, Mário Cavalazzi, Lauro Búrigo, “senador” Alcides Ferreira e o pequeno Antônio, hoje vereador do PP.

Neste tempo Cavalazzi era o fiel escudeiro do governador na Assembléia. A política faz coisas...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O Prisco ameaçou sair! Olha que o pessoal topa...

“Não pede demissão que eles estão aceitando”. Agora pouco me lembrei desta – que ouvi lá nos anos 80, quando passava uma dessas barcas pelas redações (coisa corriqueira até hoje). O Paulo Branchi falou há minutos atrás no “Campo Crítico”, na Rádio Guarujá, que o empresário Paulo Prisco Paraíso, presidente da Figueirense Participações, teria mandado um recado ontem na reunião do Conselho Deliberativo do Figueirense para a torcida (de saco cheio com as últimas...), de que poderia largar o clube, encerrando a parceria que preside.

O presidente deve achar que a ameaça vai calar as vaias e as pressões que vem recebendo para fazer investimentos no time e recuperar o terreno perdido. Só quem pode ficar preocupado com sua desistência da participação é a turma que o cerca, muito bem empregada e nem aí para a dor do torcedor alvinegro. Se o presidente Prisco ameaçar muito, o pessoal vai achar que é de verdade e aceitar ligeirinho a troca por uma parceria mais engajada e comprometida com a paixão do Estreito.

GLBTS: “S” é opção, mas respeito é uma obrigação

Em meio a tantas barbaridades, com as quais nós temos que conviver, num país que precisa arrumar tanto a casa, quando aparece uma notícia boa é preciso valorizar o fato. É o caso do que está tramitando na Câmara de Vereadores de Florianópolis.

Tudo indica que será aprovado, o projeto de lei do vereador do PPS, Tiago Silva, que pune a discriminação sexual no município. As lideranças do Movimento GLBTS (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Simpatizantes), foram recebidas ontem pelo presidente da Câmara, o vereador Gean Loureiro.

A iniciativa será a primeira no Estado e uma das poucas no Brasil. A idéia dos dirigentes do Movimento é que a proposta seja aprovada na Câmara e sancionada pelo Prefeito Berger, ainda antes da 4ª Parada da Diversidade, agendada para o próximo dia 6 de setembro, na Beira Mar, em Florianópolis.

O texto do projeto assegura: “a cidade de Florianópolis, por sua administração direta e indireta, reconhece o respeito à igual dignidade da pessoa humana em todos os seus direitos, devendo para tanto promover sua integração e reprimir os atos atentatórios a esta dignidade, especialmente toda forma de discriminação fundada na orientação, práticas, manifestação, identidade e preferências sexuais exercidas dentro dos limites da liberdade de cada um e sem prejuízos a terceiros”.

O pessoal do GLBTS parece não estar brincando. As penalidades previstas para os que praticarem atos de discriminação vão da advertência, multas, rescisão de contrato, convênio, acordo ou qualquer modalidade de compromisso celebrado com a administração pública direta ou indireta, suspensão da licença municipal para funcionamento por 30 dias e cassação definitiva da licença municipal para funcionamento.

É um passo positivo, sem dúvida. Mas, entre nós aqui, sabemos que preconceitos não terminam com decretos, na canetada. Está em nossa cultura o preconceito e ele será vencido no dia-a-dia, no constrangimento de quem o pratica e, também, com a punição, educadora e pedagógica que esta Lei municipal provavelmente vai garantir.

Simpatizante ou não, GLBT ou não, o desafio não é aceitar, mas respeitar o próximo. Qualquer próximo.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Lula ferrado com a metade daqui

Se depender só dos aposentados e pensionistas, o presidente Lula vai se dar mal com sua candidata, Dilma Roussef, na campanha do ano que vem. A metade lhe negará votos em vista do acordo que fez com as centrais sindicais sobre as perdas nos benefícios. Segundo informa a Federação das Associações dos Aposentados e Pensionistas de SC, aqui no Estado estão divididos pela metade os que ganham salário mínimo (os mais beneficiados com o acordo) e aqueles que tem benefícios acima do mínimo nacional.

A grande maioria no Brasil tem aposentadorias e pensões até um salário e isso explica o empenho de Lula em enterrar os projetos do correligionário Paulo Paim. Aliás, o senador gaúcho promete seguir na luta. Arquivá-los nem pensar.

EM TEMPO(...minutos depois): Não consigo entender o que faz o Lula pensar – ao fechar um acordo sobre reajuste das aposentadorias e pensões com as centrais sindicais – que está tratando do assunto com o interlocutor certo. Aposentados e pensionistas estão organizados em associações, federações e numa confederação, com as quais o senador Paim sempre conversou. O presidente foi acertar a conta do padeiro com o leiteiro.

A pandemia do lucro

O Tamiflu, remédio para tratar a Gripe A, é produzido pela multinacional Roche, que tem a sua licença, e já vendeu milhões de doses a países de todo mundo, obtendo lucros fabulosos com a doença que no Brasil já matou mais de 500 pessoas. Ninguém parece ter lembrado que se o vírus H1N1 é o causador de uma pandemia, seria normal que a Organização Mundial da Saúde já tivesse determinado a quebra da patente da droga para produzi-la em larga escala para distribuição gratuita em todos os continentes.

A lembrança é do Dr. Charles Albert Marantan Paitán. O doutor é francês e anda correndo pela Internet um texto atribuído a ele, trazendo à baila umas intrigantes contradições sobre esta Gripe A, lembrando e comparando fatos. Fiz buscas na Rede para conhecer mais sobre o especialista, mas não achei nada a seu respeito. Como o conteúdo do texto é de boa qualidade e pertinente, a existência ou não do Dr. Charles é um detalhe. Resolvi, então, divulgar fragmentos das lembranças e indagações do doutor.

“Cerca de duas mil pessoas no mundo contraem a Gripe A e todos querem usar máscaras, mas um número próximo de 25 milhões de pessoas tem AIDS e ninguém está tão mobilizado assim com os preservativos.

Morrem no mundo a cada ano milhões de pessoas vitimas da Malária, que se podia prevenir com um simples mosquiteiro. Ainda morrem por ano aproximadamente dois milhões de crianças com diarréia, que se poderia evitar com um simples soro que custa 25 centavos. E mais: sarampo, pneumonia e enfermidades curáveis com vacinas baratas, provocam a morte de dez milhões de pessoas a cada ano, mas os noticiários registram uma a uma, as vítimas da Gripe A, como se este fosse o único mal do século.

Há cerca de 10 anos, quando apareceu a Gripe A, vivemos este mesmo clima e foram registradas cerca de 250 mortes de pessoas em 10 anos, 25 mortos por ano. A gripe comum, essa que conhecemos bem, mata todo ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25!”.

Sem a confirmação da identidade do Dr. Charles, tomo os cuidados para dar nome aos bois, coisa que o doutor faz com coragem. Segundo aponta, a empresa norte-americana que detém a patente do Tamiflu tem como seu principal acionista uma importante autoridade militar do governo Bush.

Um desafio a mais para os governos: enfrentar outra pandemia, a “pandemia do lucro”, conclui o francês. Pra pensar...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Canga no DC

Andei furungando meus arquivos mais antigos, aqueles que não conheceram essas coisas modernas de windows, pen drivers, dvd. Dei uma viajada nas encadernações lá dos anos 80, onde guardo saudosos exemplares do Diário Catarinense, O Estado e outras publicações. Reencontrei velhos colegas, matérias de um tempo de redações cheias, mais românticas, e escrevíamos em laudas, em Remington’s, com matérias dimensionadas pelo conteúdo, por linhas, não por centímetros. Os jornais não eram “modernos”, precisavam de uma boa mesa para le-los e o leitor gastava mais tempo para folhar todas as páginas. O “lead” era rico e depois dele vinha um texto farto de informações e fontes entre aspas. Hoje, quase comemoramos quando ele existe ou está no lugar certo. Putz, mas como ando azedo..., fazer o que? As coisas não são tão ruim assim, vai... Ta bom!

Tudo isso pra dizer que separei algumas lembranças do velho jornalismo e que os leitores e os velhos colegas vão gostar de rever.

Aqui vai a primeira. O jornalista Sérgio Rubim, o velho Canga, cheio de gás, com seu documentário sobre o Contestado, numa matéria do DC, lá em 1986, no primeiro ano de vida do jornal. Aos poucos vou destilar aqui essas memórias. Aguardem a sequência.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Belchior sem medo de avião

O Cacau, sempre bem informado, matou a charada na coluna. O Belchior está mais vivo que o Sarney. Foi visto dia desses em Montevidéu. Muita gente já estava achando que o poeta rebelde havia partido para outra ou se retirado de cena por conta de uma deprê profunda. Se o sumiço dele foi uma depressão, o Belchior já deve estar curado. Foi visto no restaurante de um bom hotel uruguaio, acompanhado de uma mulata de aproximadamente 37 anos.

Há muitos anos atrás, quando ainda estava na CBN/Diário, cheguei a entrevistar o Belchior. Naquela época ele já reconhecia uma barra pesada para carregar, depois de tanto sucesso e engajamento político nos anos 70/80. O Carlos Damião lembra bem as semelhanças do perfil com o Geraldo Vandré.

O que aconteceu com o Belchior foi o que rolou com muitos políticos de esquerda e boa parte de intelectuais socialistas. Foram vanguarda e nossas vozes contra a ditadura militar. Depois de derrubado o regime ficou um vazio no discurso, perderam-se as bandeiras que juntavam todos na mesma trincheira ideológica. O Belchior e tanta gente boa perderam o discurso. Não viraram a página, mas são nossos inesquecíveis poetas.

Se é verdade que ele abandonou seu carro num estacionamento e está em Montevidéo, tudo indica que ele perdeu o “Medo de Avião”...

Mas era só o que faltava....o Belchior sumiu!

Leio no Blog do amigo Carlos Damião que o cantor, compositor e poeta Belchior está desaparecido. Conta que foi notícia no Fantástico. Como o Damião, não assisto o Fantástico, nem sob tortura. Aliás, não ligo a TV aos domingos há muito tempo, livrando meu estômago do Faustão, do Gugu e outras “pérolas”. Me dá tristeza ver que aquilo tudo dá audiência. O Damião diz que ficou sabendo pelo G1, que “suitou” a matéria da Globo. Deixei este comentário lá no seu Blog e o transcrevo aqui, emocionado.

Fiquei chocado com a notícia do sumiço de Belchior. O poeta foi meu grande guru nos anos 70/80. Ninguém como ele interpretou nossas indignações, nossas revoltas e a boa rebeldia adolescente. Havia um tempo que sabia cantar quase todas as faixas dos primeiros discos. Os melhores do Belchior são os dois primeiros (tenho comigo os dois LP’s até hoje, guardados em bom estado, carinhosamente). O número um (“Coração Selvagem” que, na verdade, é o segundo, mas considerado o que lançou nacionalmente Belchior) é o que traz os verdadeiros hinos da nossa geração, como “Alucinação”, “Rapaz Latino Americano”, “Paralelas”, “Como Nossos Pais” (gravado pela Elis), “Fotografia 3x4” (uma obra-prima), “Conheço Meu Lugar” (um lindo protesto nordestino), “Antes do Fim”, “Velha Roupa Colorida” (uma poesia sobre nossos namoros), entre outras, e, ainda, “Como o Diabo Gosta”, que é uma das minhas preferidas e sei até hoje sua letra. É um grito típico dos anos 70, meio anárquico, rebelde e ingênuo. A música é atualíssima e bem poderia servir de trilha para esta vergonheira que se transformou a nossa política. Lembrando o que cantou o poeta:

“Não quero regra nem nada; Tudo tá como o diabo gosta, ta; Já tenho este peso, que me fere as costas; e não vou, eu mesmo, atar minha mão; O que transforma o velho no novo; bendito fruto do povo será; E a única forma que pode ser norma; é nenhuma regra ter; é nunca fazer nada que o mestre mandar; Sempre desobedecer; Nunca reverenciar.”

Como nos garantiu o Cazuza, “O poeta não morreu; foi ao inferno e voltou; Conheceu os jardins do éden; e nos contou; Mas quem tem coragem de ouvir; Amanheceu o pensamento; Que vai mudar o mundo; Com seus moinhos de vento...”

“O Poeta está vivo”, grande Damião!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A falsa malandragem brinca com o vírus

O que me impressiona não é irresponsabilidade desse pessoal buscar liminares na Justiça para abrir os estabelecimentos fechados por oferecerem risco de contaminação da Gripe A. Absurdo maior é a clientela, boba e desinformada que continua freqüentando estes locais.

A turma de otários ainda se acha deslocada e malandra ao se comunicar via blog, orkut, twiter e celular quais os locais que conseguiram reabrir e dar de ombros à pandemia que já matou quase 500 pessoas só no Brasil.

Pra quem não sabe, a Vigilância Epidemiológica do Estado fechou na semana passada cerca de 20 bares, restaurante e boates na Capital por falta de infra-estrutura necessária para se evitar a disseminação do vírus H1N1.

Pessoalzinho de terceiro mundo esse...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Necessidade vai apontar Dário em 2010

Entrevistei agora pouco na Rádio Guarujá o secretário Regional da Grande Florianópolis, Walter Galina. Resumindo o que de mais importante disse: na área administrativa, reafirmou a idéia – para os incrédulos e céticos (entre os quais ainda me incluo), da construção do trem de superfície na Capital. Garante Galina que a licitação do projeto sai até a primeira quinzena de setembro. Ele explica que o trem vai partir de Barreiros – onde haverá um grande pátio de estacionamento de carros, passando pela Ponte Hercílio Luz recuperada, e chegará a um terminal no centro da cidade. Num segundo momento, o trem irá até a Universidade Federal, pela Beira Mar.

Na área política, o secretário ainda não reconhece que Dário Berger é o candidato mais forte para enfrentar Ângela Amim e Ideli Salvatti. No entanto, já não refere-se apenas a Eduardo Pinho Moreira como candidato único ou natural, citando Dário, agora, como uma opção real. O secretário Galina foi um dos padrinhos da filiação do prefeito no PMDB.

Opinião do blogueiro: por tudo que tenho visto e ouvido por aí, somente uma virada muito imprevisível na cena política poderá tirar Dário Berger do páreo ao governo do Estado.

A municipalização das SC’s

Um assunto ganha força na cidade: a municipalização das SC's que cortam a cidade. São 107 quilômetros de rodovias estaduais dentro de Florianópolis.

As diferenças de legislação municipal e estadual trazem transtornos à manutenção. Um problema crônico. É pouco provável que a municipalização mude esta realidade, mas há quem acredite nisso ou defenda a idéia com outros interesses. A Comissão de Viação, Obras Públicas e Urbanismo da Câmara dos Vereadores da Capital já realizou uma audiência pública para tratar do assunto.

Fora dos microfones Dário não esconde que sonha com a idéia, mas do jeito que a encrenca da SC 401 está, com um processo há quase 20 anos tramitando na Justiça para se decidir sobre o pedágio, o prefeito não quer nem comentar sobre a matéria.

Dário imagina uma revitalização da via, com projetos de urbanização que transformariam o Norte da Ilha.

Há uns meses atrás, em entrevista na Rádio Guarujá, o governador do Estado chegou a lançar de improviso a instalação imediata do pedágio na 401, abrindo – sabe-se lá com que viabilidade jurídica, a praça de cobrança. Para LHS não há outro jeito de melhorar e manter a estrada.

Quando isso veio à baila, no início do ano, foi um corre-corre no Centro Administrativo e em seguida apareceu o pessoal do “deixa disso”, colocando a idéia de volta na prateleira. O prefeito evitou o assunto, mas de longe sonhou com o caso resolvido na Justiça e a SC 401 municipalizada.

Desconfio que o sonho de Dário inclua o pedágio como uma galinha dos ovos de ouro para o cofre do município.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Senado é só a ponta

Num olhar amplo, observando o conjunto da nossa sociedade em geral, nossos hábitos, nosso comportamento no dia-a-dia, as teses que estão formando a opinião, o marketing poderoso de que só é feliz quem se dá bem sobre o outro, a malandragem institucionalizada e a falsa idéia de que somos modernos.

Tudo isso me faz pensar que o que estamos vendo no Senado é só a ponta do iceberg do que nós mesmos construímos. É uma auto-crítica necessária, antes de mais nada, se quisermos mudar isso, além de só mostrar indignação. Enquanto cada um de nós fica olhando vaidoso para seu umbigo, eles lá fazem a festa.

Felizmente, temos a Democracia, sabe-se lá de que tamanho e sob que condições... Por isso, ainda há tempo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Nove meses para se constatar 300 famílias sem casa

“Brasília - São pelo menos 300 famílias que continuam morando de improviso em Blumenau porque tiveram suas casas destruídas pelas inundações de novembro do ano passado. A constatação é do deputado Décio Lima (PT) que promove nesta quinta (20) um debate preliminar sobre a questão da moradia popular e suas formas de acesso.

O encontro preparatório reúne a deputada estadual Ana Paula e integrantes do Fórum Catarinense e do Fórum Nacional Por Moradia Popular, às 18 horas, na Casa Amarela (rua São Paulo, 65 – Centro), em Blumenau, onde funciona o escritório regional dos dois parlamentares.”

O texto foi colado, na íntegra, do competente site ABC Digital, de Brasília.

Se os termos “constatação”, “debate preliminar” e “encontro preparatório” forem da redação do ABC, me desculpem os deputados pela nota. Mas se forem deles mesmo as expressões aqui vai, então, o protesto deste singelo Blog contra a falta de respeito, a insensibilidade e a prova de incompetência das autoridades públicas e representantes políticos da Região – o que, é claro, neste caso, incluiria, os dois parlamentares.

Imagine o leitor como deve reagir um pai de família de uma dessas 300 famílias, há nove meses à espera de uma solução, ao ler que os deputados levaram este tempo todo para “constatar” o problema e, como providência vossas excelências farão um “debate preliminar” e mais um “encontro preparatório” para que se encorajem a tomar uma atitude concreta e dar um fim a este martírio.

É por esses e outros comportamentos e posturas – arrogantes, debochadas até - que os políticos estão desacreditados e ninguém mais os leva à sério quando falam e prometem, salvas as exceções, cada vez mais raras.

Torço para que o ABC Digital tenha se equivocado no tom do texto. Não tinha em conta uma impressão ruim assim de Décio e Ana.

Desrespeito até com os mortos

Até os mortos estão abandonados no Centro Histórico de São José. O Cemitério Municipal do bairro virou um campo de capim, incluindo a sala mortuária, completamente depredada, onde até luz está em falta. No momento mais dramático, as famílias são obrigadas a velar os corpos de seus entes queridos em outro lugar.

Recebo a informação que as autoridades sabem do descaso, já foram alertadas e receberam oficialmente as reclamações daquela comunidade. Prometeram resolver. Até agora nada!

Alô prefeito Djalma! Morto não vota, mas tem parentes e amigos...

O real e impressionante caminho das Índias

Li quase numa tacada só e “viajei”, curioso, indignado e emocionado, lendo o livro de Stefânia Forner, “Chapatis e Dosas: meus dias na Índia”. É um relato corajoso, sensível e fiel da viagem que a autora fez à Índia, durante oito meses, para realizar estudos sobre a Aids naquele país. Ela é formada em Farmácia, faz seu mestrado e já avisa que vai ao doutorado para ser professora. Nasceu em Chapecó/SC e foi a Editora da Unoesc quem produziu uma obra de belíssima e criativa apresentação, com 158 páginas.

Apesar de apenas 26 anos de idade, Stefânia escreve com objetividade e elegância raras e consegue envolver o leitor, que se identifica e se apaixona facilmente com seu olhar sobre o fascinante e sofrido mundo indiano. Registra fatos com uma refinada visão crítica, ética e precisa, trazendo, ainda, um traço delicado e discreto de um romantismo pouco visto entre os novos talentos.

Reproduzo aqui o trecho que mais gostei. É parte do relato que faz da sua visita ao famoso Taj Mahal, na cidade de Agra. Apaixonem-se:

“...Fiquei perplexa pela beleza da obra de arte que estava na minha frente. Passeamos pelos jardins e ficamos três horas olhando o monumento que mudava de cor conforme muda a luz do dia. O Taj Mahal foi construído pelo imperador Shan Jahan na beira do Rio Yamuna e é um mausoléu para sua segunda esposa, Mumtaz Mahal, que faleceu no parto de seu 14° filho, em 1631. A construção iniciou nesse mesmo ano; 20 mil operários da Índia e da Ásia Central trabalharam para que seu término ocorresse em 1657. Logo após o término da construção, Shah Jahan foi preso pelo seu filho Aurangzab no forte de Agra. A lenda conta que passou o resto dos seus dias olhando, pela janela, o Taj Mahal e, depois de sua morte em 1666, Aurangzeb sepultou-o no mausoléu ao lado da esposa, gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto.

O mausoléu é feito de mármore branco e pedras semi-preciosas, as quais são responsáveis pela mudança de cor conforme a luz do dia e o movimento do sol; possui inscrições do Alcorão e sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício possui duas mesquitas ao lado; é considerado a maior prova de amor do mundo, porém sua estrutura está fragilizada, o que levou o governo indiano a proibir qualquer indústria de se estabelecer em Agra e que carros andem perto da área em que o Taj Mahal está situado. O Taj Mahal é perfeito, como disse Rabindranath Tagore, grande poeta indiano, “o Taj Mahal é uma lágrima no limiar dos tempos.”

Antes de ler o livro, entrevistei Stefânia Forner na Rádio Guarujá e pude ver e ouvir alguém que foi a uma terra estranha e teve uma bela experiência com o infinito mistério do ser humano. Ela encerra o livro, revelando o que a Índia lhe fez:

“A viagem entre Visakhapatnam e Florianópolis levou quatro dias – entre os dias três e sete de setembro. Foi uma longa viagem entre esperas e escalas; quando cheguei ao meu país de origem, percebi que não sabia mais exatamente quem era, mas tinha a certeza de que foi uma jornada que me fez ser não uma pessoa melhor ou pior, apenas diferente.”

Pra quem se interessou e quer ler “Chapatis e Dosas: meus dias na índia”, pode-se achá-lo no Blog www.meusdiasnaindia.com.br, onde também encontra-se muitas fotos da viagem.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Victor Meirelles, a índia e eu

O primeiro contato que tive com a nudez de uma mulher, algo arrebatador e que me provocou descobertas febris e imaginativas, foi na tenra pré-adolescência, quando me deparei com a pintura de uma índia, numa das páginas de um livro de história do Brasil. Deitada na beira de um rio, corpo farto, cabelos morenos e estilhaçados na areia, ela me confundia as emoções, mostrando desde dor, sonolência, descuido e uma lascividade irresistível, para a qual dedicava as minhas mais especiais energias e concentrações criativas – se é que me entendem. Foi um ano que andei dedicadamente com aquele livro debaixo do braço e meus professores achavam que ali estava nascendo um historiador de mão cheia. Tinham razão. Na mão cheia.

Ontem, estudando um pouco a obra do pintor catarinense Victor Meirelles, encontrei mais uma vez aquela índia, quarenta anos depois e, confesso, tive quase a mesma emoção. A morena adormecida é “Moema”, pintada em 1866, pelo mestre Meirelles.

Hoje ele está de aniversário, faria 177 anos se vivo fosse. O Museu com seu nome, no centro de Florianópolis, no simpático prédio onde viveu ainda na Desterro, durante toda esta semana pode-se visitá-lo com uma programação especial.

Pra quem ficou curioso em saber onde anda “Moema”, ela se encontra no Museu de Arte de São Paulo, ainda provocando, de pré-adolescentes a adultos.

Os sinais da Gripe A

A Gripe A tem uma lado doutrinário, profilático. Alerta como estamos relapsos, preguiçosos, complacentes com maus hábitos e o quanto é preciso reformar ou retomar conceitos que deixamos lá atrás por conta dessa velocidade da vida, com pressa para tudo. Resultado disso, como diz o velho ditado, “a pressa é inimiga da perfeição”.

A pressa destes tempos, com tudo descartável, virou um desrespeito grosseiro e quase generalizado.

Limpamos pouco, botamos fora quase tudo e quase tudo vira lixo, lixo que nos contamina. Lustramos quase nada, nos entregamos demais à praticidade do plástico.

Quase ninguém mais bota as roupas para quarar, a máquina faz, sabe-se lá com que tipo de detergente e produto químico, e vamos deixar correr essa poluição pelo nosso mal tratado esgoto.

Não copiamos mais aquele prato que a vovó nos ensinou no seu livro de receitas. Preferimos comprar pronto, empacotado, congelado, tudo no microondas e perdemos a noção de quanto tempo se leva para fazer uma boa massa ao sugo.

Preferimos enlatados, cheio de conservantes, que deformam nossos corpos, de nos deixam mais fracos, vulneráveis a estes vírus, que parecem ter mais inteligência que nós.

A Gripe A nos exige autocríticas.

Lembro de quando descobriu-se a AIDS, o vírus do HIV. Morreram milhares, por falta de informação e educação. Mas, passados os anos, mais controlada, o que ficou de lição da AIDS é que nos tornamos mais previdentes, mais cuidadosos, com ela e outras doenças. De quebra, a AIDS nos ensinou a ter vergonha do preconceito, da discriminação e na marra melhoramos as nossas relações com as diferenças.

Com a Gripe A - mal comparando, o HIV é muito mais agressivo do que o H1N1 - precisamos fazer a mesma passagem, de aprender e rever hábitos, de evoluir.

A Gripe A está denunciando o nosso relaxamento. Uma blitz, ontem, da Vigilância Sanitária fechou 20 restaurantes do Centro de Florianópolis que não cumpriam as medidas determinadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. No duro mesmo, não cumpriam o mínimo do asseio, o que a educação manda, mas precisou uma Gripe para apontar a falta de protetor salivar - uma peça de vidro instalada sobre o bufê para proteger os alimentos, falta de circulação de ar, equipamentos de higiene como água, sabão e álcool em gel, luvas plásticas descartáveis para funcionários, higienização básica que deveria ser corriqueira se tivéssemos mais educação.

Precisou uma Gripe, com mortes e sofrimentos, para lembrarmos de tudo isso. Hora de entender os sinais.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Cor rosa assumida na Câmara

“Eu não sou o único vereador gay, mas sou o único que assumo”.

A provocação foi de Tiago Silva, do PPS, que assumiu agora pouco uma cadeira de vereador na Câmara Municipal de Florianópolis. A declaração foi dada durante entrevista que fiz com ele na Rádio Guarujá, momentos antes de sua posse. Ele veio ao estúdio vestindo um novíssimo e alinhado terno marinho-escuro, riscado, acompanhando uma camisa e uma gravata de cor rosa.

Perguntei se a cor era outra provocação. “Vou sem medo algum, como sempre, mas poderia ter me vestido todo de preto e também chamaria a atenção, já que neste caso estaria fazendo um protesto contra a discriminação e o preconceito”, completou o intrépido vereador que fez mais de 1.800 votos na Capital e está assumindo o cargo por 61 dias na vaga do vereador Badeko, seu colega de partido licenciado.

Educação por um fio

Mas era só que faltava. Um deputado da nossa Assembléia Legislativa está propondo que os bares e restaurantes sejam obrigados a oferecer fio dental nos banheiros aos seis clientes. Os empresários do ramo estão buzina. "Qualquer hora vamos ter que fornecer escova de dentes pras pessoas..."
Então tá combinado: educação na base do decreto, no caso, projeto.

Gripe A e os bons modos

O advento da Gripe A, além dos problemas graves que vem trazendo, traz consigo uma discussão paralela que nos remete ao tema da educação, aos costumes e, como diria a vovó, aos bons modos.

As recomendações feitas pelos médicos e infectologistas são aquelas mesmas, básicas e familiares, que tanto já ouvimos quando criança. São coisas simples, como lavar as mãos várias vezes ao dia, não tossir ou espirrar sem resguardo em ambientes fechados ou sobre as pessoas à sua volta, carregar lenços descartáveis quando se está resfriado e não ter hábitos grosseiros como limpar nariz, olhos ou ouvidos em público.

Cá entre nós, as mensagens de órgãos de saúde e vigilância sanitária nos veículos de comunicação, nos recomendando esses bons modos, deveria ser motivo de constrangimento para todos nós, jovens adultos e idosos, já bem crescidinhos para saber o que se deve fazer, minimamente, em higiene e limpeza.

Vivemos tempos de revisões, de necessidade delas, nos mais diversos setores da nossa vida, todas ligadas a bons modos, que vão desde o Senado – tão carente, hoje de bons hábitos – até o nosso dia-a-dia, em casa, nas escolas e no trabalho.

Neste final de semana que passou, agentes de vigilância sanitária tiveram muito trabalho junto a bares, restaurantes e boates. Muitos deles tiveram que se adaptar, com equipamentos de ventilação, exaustores, pias, papel toalha, álcool gel e até a contratação de profissionais de saúde para fazer triagens nas portas de acesso, barrando quem estivesse com alguma suspeita de resfriado ou gripe. Outros tantos tiveram que ficar fechados até que a Gripe A recue e o problema diminua.

Um corre-corre denunciador no setor. Ou estas exigências, como boa ventilação, equipamentos de higiene e segurança não são pressupostos para se abrir uma casa de eventos?

Pois é. Foi preciso uma Gripe A para que todos nós fôssemos lembrados do óbvio, constrangidamente, em comunicados oficiais, no rádio, na TV e no jornal. Que vergonha!

A Democracia de sempre

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão".
Minha filha me enviou esta preciosidade. É do Eça de Queiroz, que viveu no século retrasado.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O debate

Um resumo do debate sobre a Gripe A que a Rádio Guarujá realizou hoje, no qual fui o âncora:
- Preciso ser sincero, não gostei. Achei morno e não consegui estabelecer uma dinâmica entre os participantes, talvez, por falta de inspiração minha e, também, em razão dos participantes estarem ainda muito temerosos pelo que vem pela frente e, por isso, resolveram não polemizar e deixaram a conversa correr sem sobressaltos ou riscos. Na verdade, acho que a proposição mais adequada era realizar um painel e não debate. Foi um painel, com boas informações sobre o assunto. Por isso, não deixou de ser positivo.
- A informação mais importante foi que o sinal de alerta básico para a Gripe A é o aparecimento de febre, somado aos conhecidos sintomas de um resfriado (espirros e tosse contínuos). Enquanto não houver febre não há motivos para procurar ajuda médica.
- Todas as autoridades de saúde de Florianópolis, São José, Biguaçu e Palhoça reconhecem que estão deixando as pessoas esperando de uma a três horas nos postos de saúde.
- Foi registrado que no mercado já há falta de máscaras e, por isso, os atendentes estão orientados a entregar o equipamento seletivamente.
- As dicas mais importantes a serem dadas para não se contrair a Gripe A, basicamente, denunciam o relaxamento geral das pessoas, como pouca higiene pessoal, hábitos rudes e até chulos, como mexer no nariz com os dedos, esfregar os olhos, a boca, bocejar e arrotar em público, fumar em locais fechados, espirrar e tossir como um eqüino e outras nojeiras e grosserias que vemos todos os dias na rua, no trabalho, em todo lugar. A velha falta de educação, pra falar francamente, são o playground dos vírus e bactérias mais descoladas.
- A população, pelo telefone, pelo chat e no microfone aberto deixou claro que está de saco cheio, cansada e incrédula com as fontes oficiais.
Aprendemos mais um pouco. Iniciativa válida, sem dúvida. Outros encontros virão. As evoluções também, se espera.

GRIPE A EM DEBATE NA GUARUJÁ HOJE – 4 DA TARDE!

O problema da Gripe A é hoje o assunto número um no País, no Estado e em toda a nossa Região Metropolitana. E não poderia ser de outra forma. A preocupação maior de todos é com os mistérios que envolvem esta Gripe. Um simples espirro, uma ingênua tosse em público, já causa um desconforto entre as pessoas e uma desconfiança constrangedora. Aguarda-se, ainda, por informações médicas mais precisas, sobre tratamentos e remédios que tragam mais segurança e tranqüilidade aos cidadãos.
As autoridades da saúde estão cautelosas em comentar o assunto e divulgar amplamente todas as providências. Um exemplo disso foi o decreto de situação de emergência em Santa Catarina, assinado do dia 3 de agosto, mas só divulgado ontem. Até mesmo os médicos estão preocupados com esta ainda desconhecida Gripe A e começam a transferir aquelas consultas que podem esperar.
Este é momento de mobilização, de informações de serviço, de dar orientação às pessoas e às famílias em geral. Este é o momento típico de veículos de comunicação como o rádio.
A Rádio Guarujá promove HOJE a PARTIR DAS 4 DA TARDE, um debate especial de uma hora, reunindo as principais autoridades e especialistas em saúde e medicina da Grande Florianópolis e do Estado.
Foram convidados o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, Dr. Luis Antonio Silva; o coordenador da Comissão de Combate e prevenção da Gripe A, Dr. Daniel Moutinho; a secretária adjunta da Saúde de São José, Dra. Malu Mendonça; o diretor da Vigilância de Saúde de Palhoça, Dr. Valdir Machado da Silva Jr.; a diretora de Saúde de Biguaçu, Dra. Magali Pereira Prazeres; e o médico infectologista, Dr. Walter Rotolo Araújo.
A população e os ouvintes poderão interagir, com a reportagem na rua, ao vivo, e pelo telefone 2108-5504.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A utopia sempre necessária

O Newton Junior, leitor deste Blog, faz uma observação interessante. Diz que hoje, os comunistas e socialistas, costumeiramente, andam desfilando com belos carros importados, no clima dos bons capitalistas.
É uma constatação real, mas antiga, em que pese termos – como sempre – os “comunas” de fato, na teoria e na prática.
Me lembro que lá na década de 80 já convivíamos com famosos dirigentes que discutiam revoluções e as mazelas do povo e que não dispensavam um bom “scoth”, no alto de suas coberturas.
Jovens e cheios de energia e embalados pela utopia marxista, nem percebíamos este perfil dos dirigentes. Ao longo da vida a ficha vai caindo, infelizmente.
Hoje, sei bem que esse pessoal faz parte do mundo político, em qualquer tempo e torço para que a utopia dos jovens não se contamine com esses enganadores.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O velho oportunismo deu o ar da graça

Um grupo de 250 manifestantes protestaram ontem, em frente a Celesc. Anunciaram que o ato é contra a crise e as demissões, pela criação de empregos e melhores salários, a ampliação dos direitos trabalhistas, a redução das taxas de juros, a reforma agrária e outros avanços sociais.
Entre os participantes estão agricultores do Movimento Sem Terra. Eles chegaram à cidade em sete ônibus, vindos, em sua maioria, da região Oeste. Vieram reforçar o apoio ao movimento dos funcionários contrários à possível privatização da estatal.
Aposto que a maioria do pessoal de engrossou as fileiras nem sabia do que estão tratando a respeito da Celesc. Mas estavam lá com a companheirada./
O velho e conhecido oportunismo pré-eleitoral, esquentando os motores.
Estavam tão preocupados só com o barulho, câmeras, microfones e luzes que esqueceram o único assunto que poderia unir todos que estava ali: o aumento de 7% na conta de luz no Estado. Não vi uma frase a respeito!
Mas, afinal de contas, que mania chata essa, de querer coerência toda hora...

EM TEMPO: a velha patrulha está convidada a destilar seu doutrinarismo, pretensamente socialista, nos comentários. Sei bem como é a edição deste filme. Lá atrás, a boa dialética esbaldava-se já sobre este histórico oportunismo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Show de incompetência e descaso

Um absurdo vem se consolidando com enormes prejuízos à economia de Santa Catarina. Atende pelo nome de Porto de Itajaí.
Em novembro do ano passado, quando o Porto teve dois dos seus três berços de atracamento de navios destruídos pelas enchentes, recebemos o Lula quase no dia seguinte. Então ficamos todos impressionados com a agilidade e a rapidez do Governo Federal. Ledo engano. Até agora estamos sem solução.
À época, a Prefeitura de Itajaí decretou Situação de Emergência e se credenciou com isso a receber os recursos, seguindo o rito da burocracia. Acontece é que demorou tanto a tramitação desta papelada que o prazo do Estado de Emergência venceu. Os recursos estão bloqueados e a obra de recuperação dos berços está parada desde junho.
Com o Porto fechado há quase nove meses, mais de 8 bilhões e dólares ficaram em alto mar. São 33,5 milhões de dólares diários que a economia perde.
Pasmem! Na semana passada foi anunciado em Brasília que o ministro dos Portos, o senhor Pedro Brito estaria se empenhando pessoalmente em conquistar a benevolência do ministro da Integração Nacional, o senhor Geddel Vieira Lima, para que sua excelência concordasse em prorrogar o decreto de Situação de Emergência para que os recursos, de 85 milhões de reais, sejam finalmente liberados para que as obras de recuperação do Porto sejam concluídas.
Caso o senhor ministro Gedel resolva não conceder este favor a Santa Catarina, uma nova licitação terá que ser feita e tudo iniciará da estaca zero./
São nestas horas que a gente lembra da rapidez de medidas provisórias e de outros procedimentos inconfessáveis para atender de forma recorde interesses pessoais ou políticos, os quais muitas vezes a gente só fica sabendo quando vossas excelências permitem a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito./
Será que o poderoso ministro Gedel irá se sensibilizar com a causa catarinense?
Forças políticas de Santa Catarina, autoridades federais do Estado....
Tem alguém aí?!

domingo, 9 de agosto de 2009

Para o meu Pai

Houve um tempo, meu pai, que te achava herói, meu mestre.
Outro, que surpreendi em mim um sentimento contrário, que me rebentou por dentro a adolescência.
Um pouco mais, e comecei a competir contigo, algo que me parece muito estranho hoje.
Lá mais adiante, voltei a me questionar sobre a tua distância, sobre os teus silêncios, que sempre me fizeram tão só.
Veio mais tempo, que te abandonei, te exorcizei, te reneguei como pude, e não pude, então, me rasguei e me machuquei por dentro, tentando te extirpar do meu coração.
Lá pelas tantas, o velho e sábio tempo passou e me trouxe uma luz, um virar de página e me mostrou que o mundo não era uma planície, mas redondo, como é a lua cheia, de mistérios e bonanças.
Mais calmo, abatido pelos arroubos, mais sólido, mais judicioso e erudito, consegui me livrar de uma miopia, multiplicando em mim o que de bom havia conhecido em ti, desde sempre, desde que de ti surgi.
Nestes tempos, terapêuticos, desafiadores e de chances, talvez, derradeiras nessa missão, mais lúcido e humilde, te vejo quase despido de tudo, enxergando o pai possível e bom que és meu, com diversidades que ainda me afligem, é verdade, mas que as coloco no devido lugar das insignificâncias, deixando tua imagem firme, cristalina, digital em qualidade, analógica em mim.
É uma dinâmica que persigo, como naquele deserto de areias quentes e que o Cristo achava estar só.
Estás em mim, como nunca, verdadeiro e íntegro.
Um feliz Dia dos Pais pra ti, meu Pai!

Pais e filhos e as evoluções reais

Ah, o Dia dos Pais, essa hora de beijos e abraços, almoços possíveis, boa dose da natural “inoprofunda” reflexão, hora tão linda e comum na maioria dos lares, boa, necessariamente mínima forma de reconhecimento e homenagem, cheia de lugares comuns e sempre bem vindos ou saudosos, momentos de elevar espíritos a lugares que ele, muitas vezes, não consegue permanecer, dia de ensaios para evoluções reais, dia que nos tornamos melhores, nem que seja isso uma prova de que somos capazes de sê-lo por mais tempo.
- Um feliz Dia dos Pais a todos!

sábado, 8 de agosto de 2009

Jóias raras no Senado

Só mesmo o Suplicy para aliviar a carga de vergonha que temos hoje do Senado Federal. Aliás, foi uma cena que envolveu duas grandes figuras que compõem a bancada da exceção em meio a tantas figuras em decomposição política: a dele e do Paim.
O senador paulista deu um banho e homenageou o Dia dos Pais, declamando em português a letra de “Father and Son”, de Cat Stevens e depois cantou em inglês. O texto tem tudo a ver, o Suplicy resgatou, mais uma vez, a velha e ncessária utopia! O senador gaúcho Paulo Paim completou a cena do bem no Senado, uma raridade nestes tempos. Foi bonito ver.

video

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Míticos. E a minha inveja.

Não tive tempo para comentar na quarta, quando o Fernandão baixou de helicóptero no gramado do Serra Dourada, à noite, apresentado para a torcida do Goiás. Aquilo me ficou na cabeça até agora e não resisti comentar, mesmo atrasado.
Me impressionou o olhar mítico do Fernandão. Sério, solene, determinado. Em vez de sorrisos, resolveu mostrar firmeza, foco, como se já estivesse em campo, esperando um cruzamento na área. Foi de imediato que lembrei da figura do Chê, naquela foto eternizada. Uma curiosidade apenas, duas figuras imponentes, cada uma em seu tempo e espaço.
Não posso deixar de reconhecer uma inveja do Goiás, um time do tamanho do Figueirense, mas com uma diretoria ousada, com coragem, pensando grande, na vanguarda de sua torcida. Que inveja...

"Honduras É Logo Ali!", hoje, às 5 da tarde na UFSC!

O Movimento "Honduras É Logo Ali!" se reúne hoje (sexta, 7.8) às 17 horas. Serão definidas as ações de solidariedade à resistência do povo hondurenho. A reunião é aberta e todos estão convidados.
Local: Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro Sócio-Econômico, Bl C, Sala 205, Campus Trindade, Florianópolis. Fone: (48) 3721-9297, ramal 37.
O sempre atento Celso Martins é que me mandou a convocação. Vou fazer o possível para estar lá. É uma obrigação de todos que lutam pela Democracia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nós, otários, e o oportunismo

A Assembléia Legislativa do Estado promulgou ontem a Lei que isenta do pagamento da taxa de pedágio nas rodovias federais do estado. A idéia é do deputado Cesar Souza Júnior, do Democratas, e a Lei foi aprovada por unanimidade na Casa. Com esta legislação aprovada e promulgada, está assegurado, por exemplo, aos moradores do município de Palhoça, o direito de circular pela cidade sem ter que pagar a taxa de pedágio, uma vez que a BR-101 corta a cidade. Os motoristas do Sul do estado que precisam ir à Capital também serão beneficiados, sob o argumento de que as obras de duplicação naquele trecho estão inacabadas./
Tudo muito bom e muito justo não fosse a sua origem reconhecidamente demagógica e repleta de oportunismo.
A matéria aprovada vai durar dias. Com sorte, semanas talvez. O assunto é Federal, a estrada em questão é uma BR e, portanto, qualquer pessoa minimamente informada sabe que a Assembléia Legislativa do Estado não pode legislar sobre um assunto que é competência do Congresso Nacional, que deveria ter um encaminhamento na Câmara Federal e no Senado.
Todos os parlamentares sabiam disso, de antemão. Sabem que a Lei promulgada não resiste ao primeiro aceno de inconstitucionalidade já nas primeiras instâncias da Justiça.
Perdeu-se tempo. Foi um show de oportunismo, utilizando-se de um sofrimento da população, indignada, exausta de tanto desrespeito dos poderes púbicos.
Tão logo a Lei caia haverá deputados a dizer que eles fizeram o que foi possível e quem impediu a isenção do pedágio foi a Justiça.
Mas que não se aponte apenas o oportunismo dos deputados estaduais sobre o assunto. É necessário sempre lembrar o início deste problema, que são os atrasos das obras de duplicação, recheada de dúvidas e procedimentos mal explicados pelas autoridades federais e pelos empreiteiros.
O DNIT chega a dizer que algumas empreiteiras simplesmente abandonaram os canteiros de obras porque o País teve uma disparada no crescimento e a duplicação ficou desinteressante para as empreiteiras, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.
Já os empreiteiros afirmam que as obras atrasaram por falta de dinheiro, falta de pagamento do Governo Federal, fato negado pela União.
Ninguém quer ficar com este tijolo quente nas mãos. A culpa é sempre do outro e as soluções ganham adiamentos a cada dia.
Enquanto isso pagamos o pedágio como num conto do vigário./
Ah, mas agora tem uma lei estadual, que proíbe o pedágio! É verdade, até que a Justiça lembre a inconstitucionalidade dela e tudo volte ao normal na bem equipada e bonita Praça de Pedágio, em Palhoça.
Somos uns otários!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O desconfiômetro do Sarney pifou

Era só o que faltava mesmo. Os dirigentes de hoje do PMDB estão sugerindo que aqueles que estão pedindo a renúncia de Sarney peçam desfiliação do partido. O recado é para os senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, espécies de trigo entre o joio que tomou conta do velho MDB.
Nunca fui preconceituoso com o Sarney, que cumpriu um papel importantíssimo na história recente do País, quando rompeu com a ditadura (PDS) e ajudou a enterrar os golpistas de 64.
Pra quem não lembra mais, o Sarney compôs um dos quadros mais ilustres de ministros quando foi presidente. Na Agricultura, Pedro Simon; na Justiça, Fernando Lira; na Fazenda, Dílson Funaro; e no Ministério da Reforma Agrária (inédito na nossa história, o qual nem Lula teve a coragem e criar), o “senhor-diretas” Dante de Oliveira, militante do MR-8. Claro que também tinha o Dr. Jorge Bornhausen na Educação, mas era um colegiado nitidamente progressista e foi protagonista de idéias arrojadas como o Plano Cruzado, congelamento de preços e até a moratória da dívida externa, bandeira de luta de toda a esquerda brasileira da época.
Em que pese esse respeito que tenho por Sarney, sem nenhum preconceito, repito, entendo que o velho perdeu o desconfiômetro e a noção sobre o momento que o País vive, no qual não cabe mais uma figura com o seu perfil. Ninguém é perfeito. Nem mesmo Pedro Simon – um político exemplar sob todos os aspectos, foi um governador vacilante, que não deixou marcas significativas no Executivo do Rio Grande do Sul, bem diferente de sua inigualável performance como parlamentar.
Sarney cumpriu o seu papel histórico já faz tempo. Agora, desempenha uma ponta de coadjuvante constrangedora na cena política nacional, pra dizer o mínimo. Deveria estar em casa, há muito tempo.
De resto, o Pedro Simon continuará a dar um banho de ética nesse pessoal todo. Vamos assistir de cadeira, em alguns dias, a queda de Sarney.

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