quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O que o pessoal não faz com um vacilo

O Tribunal de Contas da União deu um “madrake” no pagamento das obras do lote 21 da duplicação BR 101. A notícia está nos jornais de hoje, mas o que não causou curiosidade aos colegas foi onde fica este lote 21. Ele compreende o trecho de Içara e Sangão e o acesso à Criciúma, no Sul do Estado. Um detalhe chama a atenção: lá a duplicação já está concluída e entregue aos usuários. A suspensão do pagamento não terá nenhuma conseqüência prática local, aparentemente. A Construtora Queiroz Galvão, responsável pelo trecho também atua em outros lotes. Talvez estes outros - ainda em execução e atrasados - é que sofram mais paralisações.

O requinte da atenção da construtora no vacilo do DNIT é espantoso. O Tribunal verificou um prejuízo de quase 6 milhões de reais. “O pessoal são fogo”, diria o matuto no acostamento.

O sol esse fujão

Abro o lap top na redação da Guarujá e quase não consigo digitar. O sol forte invade a cena e deixa o monitor invisível. Pensei em puxar a persiana e resmungar alguma coisa. Não arrisquei. Vai que São Pedro escuta e magoa...

Logo, às 2 da tarde, ancoro o Conexão da Tarde na Guarujá. Tenho até medo de chamar a previsão do tempo da Epagri/Ciram. Dizem que domingo chove de novo. Pelo jeito o velho Pedro só esta pensando em dar tempo pra secarmos a roupa. Mãos à obra, minha gente. Haja sabão em pó, amaciante e prendedor!

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Jornalismo de galocha

É assim que os jornalistas estão trabalhando nos últimos dias. Fazer o que?

O Fábio Nocetti, que já era um dos mais elegantes, agora está abalando na telinha. Prevenido, para as matérias em gabinetes – com as nossas autoridades, ele tem o sapato lustradíssimo no carro.

Grande Nocetti, na Record e na Guarujá!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Alicate e Polícia pra cima de quem é vítima

Celesc deve cortar a energia elétrica de 8 mil casas Grande Florianópolis que tiverem gatos ou rabichos. Ao todo são 35 pontos na Região. A ação se estenderá até o final do ano. A Celesc vai chegar nas casas irregulares de alicate em punho (seria em Pinho..., mas já não é mais o caso) acompanhada da Polícia.

Segundo informa o chefe regional da Celesc, Waldemar Bornhausen, a empresa tem um prejuízo em torno de R$ 6 milhões por ano com as “ligações perigosas.”

Entrevistei hoje Bornhausen e ele reconheceu que os culpados maiores desta situação criada são os prefeitos que deixam que estas pessoas invadam APP’s (áreas de preservação permanente) que não podem ser regulamentadas para receber rede elétrica pública.

O chefe também lembrou que a Celesc fez diversos avisos aos vereadores de toda a região para que atuassem para tornar problema menor. Nada foi feito.

Vamos lembrar que na hora de pedir votos os senhores parlamentares lembram bem onde moram estas pessoas, em lugares irregulares ou não.

Botar a Polícia e enfiar o alicate pra cima de gente pobre é fácil. Quero ver fazer isso em mansões também em terrenos invadidos nessas praias da moda. Aí o tipo é mais embaixo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Quase mais uma greve

Tudo indica que uma nova greve foi evitada. Por hora. São os agentes prisionais do Estado. Eles receberam esta semana os contra-cheques e o abono chamado de “risco de vida”, de aproximadamente R$ 100,00, foi cortado. Como todo abono, ele não faz parte do salário regular. Hoje pela manhã os agentes estiveram reunidos no Sindicato e já preparavam uma paralisação nos presídios do Estado. Depois de alguns telefones o problema foi resolvido. Nos próximos dias o abono será pago de forma suplementar.

É a famosa estratégia para economizar uns tostões: se pegar pegou. Não pegou.

AINDA SOBRE GREVES – a dos bancários em Florianópolis ganhou adesão completa dos caixas da CEF. Ninguém trabalhou nesta manhã. Entendo que greves, quase sempre são justas, mas há formas de se fazer. O requinte da maldade – ou da desconsideração, com os clientes está nas áreas de atendimento automático. Terminaram os envelopes e guias, que ainda viabilizavam boa parte do atendimento. Lembro que antigamente, nas greves da categoria, os trabalhadores ficavam reunidos em vigília em frente às agências abordando os clientes para explicar suas lutas, pedindo apoio e mostrando respeito com o público. A população, geralmente, entendia e apoiava. Hoje, o pessoal fica em casa e a greve é uma curtição, um feriado. Só se vê, aqui e ali, umas faixas do sindicato e alguns de seus dirigentes.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sem palavras. Ouça.

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Presidente enfrenta desaforos no Congresso

Calma! É o Obama, lá nos Estados Unidos. Decidido a criar um programa público de saúde, ele chegou a ouvir de um parlamentar republicano, “Você mente!”.

O Barack Obama é mesmo um fenômeno de ética e ousadia nesse planetinha tão corrompido. A notícia nem é tão nova, mas achei que valia a pena trazer a meia dúzia de frases que o presidente norte-americano fez no Congresso, ao defender a criação de um sistema de saúde público no País. Não é difícil imaginar o grau de pressão que ele vem enfrentando dos mega planos de saúde que estão se lixando para a população mais carente.

Obama não deixou dúvidas e foi ao ponto sem rodeios:

“Chegou a hora de agir. A tática do medo não vai funcionar. O tempo de discussões acabou. Chegou a hora de agir. Não sou o primeiro a assumir essa causa, mas estou decidido a ser o último”.

O Obama é o cara.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Corais de milhares de anos antes do pré-sal

Já deveria ter postado aqui esta matéria, mas os espinhos de umas coroas-de-cristo me pegaram de um jeito... (depois explico isso). A matéria é da Revista Época da semana passada e traz um alerta de um professor catarinense. Ele revela um aspecto de risco para o meio ambiente no País e aqui no Estado.

A manchete já diz muito: “O pré-sal viola a lei ambiental de hoje”. O professor de oceanografia Jules Soto, da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em Santa Catarina. Ele pede que a Petrobras reavalie seus modelos e busque contribuição externa para elevar seu rigor ambiental a um novo patamar, muito superior ao que se exige atualmente no setor petrolífero.

O ponto mais delicado na exploração é denunciado pelo professor. Diz ele que “existe o problema dos corais de profundidade. Ao longo de todo o sul e sudeste do Brasil temos esses corais, com 15 metros de altura e quilômetros de largura. Eles vivem em águas frias e escuras. Para conseguir viver sem luz, eles crescem muito devagar, alguns metros em milhares de anos.”

Esses corais são “ilhas de vida”, afirma o oceanógrafo da Univali. Se forem mexidos, a pesca e este ecossistema sofrerão os efeitos em poucos anos.

SOBRE OS ESPINHOS: se experiência vale, cuidado ao se meter a jardineiro. Fim de semana fui podar e replantar aquelas “coroas-de-cristo” e acabei de cama, com uma tremenda reação alérgica aos espinhos com seus pequenos ferrões. Estou até agora tomando remédios e a mão continua um pouco inchada.

E depois ficam magoadinhos com a torcida

A gente sempre pensa que já viu tudo. Então segura mais essa: o Rafael Coelho, o melhor jogador do Figueirense, que já está negociado e é mais um craque que deixará em breve o Scarpelli, acaba de se lesionar. Num treino, dizem os médicos do Clube. Fica de fora por três semanas, no mínimo. Coincidência, não?! E querem nos fazer acreditar que o foco é voltar para a Série A. Sei... Óleo de peroba, urgente!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Reunião do Conselho e o que a cena pretendeu dizer

Ouvi atentamente a entrevista do presidente do Conselho Deliberativo do Figueirense, Nestor Lodetti, no “Campo Crítico” de hoje, na Rádio Guarujá. Perdi um pouco a calma com o meu amigo e presidente e fui, de certo, um pouco grosseiro com ele. Peço-lhe perdão publicamente. Acho que entenderá, como nobre alvinegro que é.

Pra mim ficou claro que a exposição feita ontem pelo comandante da Participações foi uma jogada cênica, com a única finalidade de dar um susto nos conselheiros e corneteiros de plantão (como este blogueiro, por exemplo). Ontem à noite, espalhou-se a informação de que estaria se retirando do Clube ou, pelo menos, do futebol. Hoje, durante a manhã, veio a segunda versão mais branda, de que estariam procurando uma parceria para administrar o futebol. Dia desses disse aqui: “não pede demissão, porque a torcida é capaz de aceitar”. O tiro saiu pela culatra.

A cena feita foi bisonha. O empresário da Participações precisa aceitar críticas, descer do seu trono, reconhecer seus erros e responder à torcida no campo, com um time decente e não com beiços e ameaças de debandada. Se o time estiver no G4, com boas chances de voltar à Série A, terão aplausos e reconhecimento. Se continuarmos nessa pobreza, com dirigentes na Série B, se comportando como se na A estivesse, vão ter críticas, protestos e faixas. Com cara feia, magoado e fazendo ameaças.

Há quem tenha se impressionado com a atitude transparente da Participações ao deixar a porta aberta durante o encontro com os conselheiros. Puro marketing. Trocaria esta porta aberta com aquela fechada, lá do CT do Cambirela, que impede repórteres de acompanhar os treinos misteriosos daquele timaço.

Ficou claro que tudo não passou de um “blefe”. Vão continuar por lá e a novidade é que irão contratar uns dublês para agüentarem a indignação da torcida.

Cantemos Leo Jaime: “Ôôôô, nada mudou...”

Ops! Não vão sair, não! Vão buscar um dublê de Judas!

Não entendi mais nada. Ouvi agora pouco os noticiários no rádio. A informação mais expressiva – que é a saída da Participações do Figueirense, “o encerramento do cliclo...” como teria sido encaminhado na reunião de ontem no Conselho Deliberativo do Figueirense, parece que não é bem assim.

O cuidado mostrado por alguns cronistas em afirmar que a Participações não está encerrando as atividades no Clube, são indícios que a decisão (se é que houve) não foi bem entendida.

A saída seria só do departamento de futebol, mas acabo de ouvir do próprio empresário da Participações que vão buscar parceiros para tocar o futebol. Ora, então, não estão deixando o futebol. Estão apenas buscando alguém para ler as faixas e pichações e ouvir os protestos da torcida revoltada com a mediocridade do time nesta Série B. A arrogância dos cartolas da Participações não suporta o contraditório, então, estão procurando um dublê de Judas. Assim, ficarão menos magoadinhos.

De resto, nada mudou. A conversa cheia de soberba continua a mesma. Só falam de competitividade, parcerias de transição, soluções de mercado, projetos imobiliários... Parece que estamos numa coletiva da Fiesc. Sobre futebol mesmo, contratações adequadas, nada!

O presidente da Participações até tenta falar para o torcedor ao se referir a sentimentos de amor e carinho pelo Figueirense, mas são frases que continuam a soar estranhas para a arquibancada incrédula.

Finalmente, o que me arrepiou a coluna foi ouvir na entrelinha que o tamanho do desprendimento pode tornar futuros parceiros sócios majoritários da Participações. Era só o que faltava, o Figueirense de novo controlador, ainda mais distante e desprovido de paixão pelo Clube.

O Paulo Branchi avisa que o presidente do Conselho Deliberativo do Figueirense, Nestor Lodetti, estará daqui há pouco no “Campo Crítico”, na Guarujá. Jogo todas as minhas fichas alvinegras nele. É um dos grandes no Scarpelli. Vamos ouvi-lo.

Dário é réu. Plano A ou B?

Quem apostava no Plano B (ou seria A?) no PMDB, talvez tenha quebrado a cara. Com a falta de entusiasmo na candidatura de Eduardo Pinho Moreira, o prefeito Dário Berger era uma opção ousada e de grande potência eleitoral. Mas ontem a Justiça colocou um obstáculo pesado nesse caminho. Dário, agora, é réu em processo que aponta irregularidades nas obras da Beira Mar de São José, uma antiga denúncia do Ministério Público Federal.

Por precaução, vamos combinar o seguinte: como na política tudo é possível, é melhor não afirmar que Dário é carta fora do baralho em 2010. Ele apenas amanheceu nesta terça com chances bem menores.

Pronto! Chega de unanimidade no Figueirense! Em frente!

Não posso negar que me surpreendeu a decisão do empresário da Figueirense Participações de entregar o cargo, dando por encerrado seu ciclo no futebol do Figueira. Antes da reunião do Conselho Deliberativo, a informação era que seria entregue uma carta com pedido de afastamento, mas seria avaliada pelos conselheiros. Nem chegou a acontecer isso. Houve apenas um comunicado de saída.

Li a decisão no Blog do Castiel, no ClicRBS. O que me chamou a atenção foi a alegação do afastamento. Avaliaram que “não tem condições financeiras de competir com o poderio das parcerias que são firmadas pelos "grandes" brasileiros com empresas bancadas por conglomerados poderosos”, diz o dirigente da Participações.

Estranho que tenham descoberto só agora que cair para a Série B seria o que é. Uma barra pesada que só dá chance de volta a quem tem ousadia e confiança em projetos reais de marketing, de publicidade e de gestão adequada. A declaração deixa claro que a Participação só tinha competência para administrar o Clube na Série A. Neste caso, a culpa do descenso ganha ainda mais peso. Se não sabem segurar a barra na B, deveriam ter feito bem mais no ano passado para permanecer na A.

Pelo que se vê, a gestão da Participação só previa vitórias, unanimidades e comemorações. Dizem que contribuiu para a decisão de saída as pressões, faixas e pichações que vem acontecendo. O que parece é que sentem-se eternos credores do clube e da torcida, sem admitir a crítica, o contraponto, o questionamento. A vida é mesmo uma lição. O velho Nelson Rodrigues já falou sobre as unanimidades...

Bem, tudo isso, agora, é coisa do passado. Mais do que nunca, chegou a vez dos alvinegros se unirem e fazer o que ainda é possível em 2009.

Uma observação final: a posição da Participação é uma confissão de que não acreditam mais em subida. Fosse verdade a confiança tão reafirmada, sempre de forma arrogante, não estariam correndo da raia. Deixaram cair e agora amarelaram.

Seria muito irônico mesmo se o Figueirense, por obra mágica do futebol, conseguisse voltar à Série A. Queria ver a cara dos amarelados...

Vamos em frente! Nós podemos sim sobreviver!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

“Sim, nós podemos”, sobreviver sem a Participações!

Ouço os noticiários antes das 7 e meia da noite de hoje, hora da primeira chamada da reunião do Conselho Deliberativo do Figueirense. A reunião foi convocada pela Figueirense Participações. Será apresentado o projeto da construção de um estádio em São José e o anúncio de mais uma parceria, desta vez com a construtora Odebrescht.

Mas o que chama a atenção nesta reunião é que o líder da Participações está adiantando que fará a distribuição de uma carta aos conselheiros, na qual coloca à disposição a sua saída integral, deixando definitivamente o Figueirense. Faz isso em tom de ameaça, como se fosse a única opção, a única chance do Figueirense sobreviver. A decisão sobre a carta teria sido uma resposta indignada às faixas que apareceram no Scarpelli do tipo “CHEGA DE PARTICIPAÇÕES!”. O presidente, agora, parece ter ficado magoadinho, além de arrogante e obcecado por lucros no negócio que tem no Scarpelli. Transformou o time num bagaço e ainda estáse achando...

Gente ligada ao "iluminado-mor" disse que ele fica só se tiver unanimidade, ou seja, todos a seu favor. Mas era só o que faltava. Arrumamos um ditador febril no Estreito!

Seria muito bom que o Conselho, logo mais, aceitasse a carta. Ninguém é insubstituível, muito menos de quem falamos... Ou será que o sujeito está pensando que foi ele sozinho que levou o Figueirense à Série A, ficando lá tantos anos? Bem, se assim é, também foi o mesmo que botou o time de volta na segunda divisão. A conta, neste caso, está zerada, nem crédito, nem débito. Estamos na estaca zero.

Parafraseando o Barack Obama, “sim, nós podemos”, sobreviver sem a Participações!

Já passa das oito. Vou ligar o rádio e torcer, mas já sei das chances de não sairmos do lugar.

Mínimo regional/SC pode provocar mega-evasão de empregos

Há uma consequência preocupante sobre a aprovação do salário mínimo regional em SC. O risco de que as empresas que operam com call center resolvam deixar o Estado, transferindo a atividade para estados nordestinos, onde o mínimo é bem menor.

É uma realidade cruel, mas o pessoal que explora este setor não está nem aí para o fechamento de aproximadamente 5 mil vagas de empregos.

O mínimo regional é bem maior do que pagam hoje a maioria das empresas que atuam em Santa Catarina. Em Joinville, por exemplo, este problema de RH já vinha enfrentando sérias dificuldades. A TMKT, empresa especializada em call center, até hoje não conseguiu completar seu quadro de contratados, mesmo depois de ter melhorado os salários e vantagens para seus empregados. Pouca gente se interessou em trabalhar com teleatendimento. Os salários pagos pelas indústrias são bem mais atrativos.

O mínimo regional criado não obriga nenhum empresário a segui-lo, mas será, certamente, um bom parâmetro para definir os acordos coletivos de trabalho. A debandada é um desafio para o setor. Uma das saídas pode ser a criação de um mínimo nacional para esta categoria, uma vez que a atividade pode ser desenvolvida à distância, basta o funcionário falara a mesma língua dos clientes.

Pelo mundo, há exemplos explícitos desta exploração desumana do mercado de trabalho, levando em conta a mão de obra barata. Na Inglaterra é muito comum um cidadão ligar para um serviço de call center e receber um atendimento de um trabalhador na Índia, onde se fala o inglês até com sotaque britânico, já que foram colonizados por eles. Com o salário pago a um empregado inglês, as empresas de call center conseguem contratar até cinco indianos, com jornadas de trabalho maiores.

É a modernidade da globalização, criando um modelo novo de trabalho escravo.

Qualquer hora o Gepeto vem treinar o Figueira...

Agora pela manhã ouço os principais jornais e comentários esportivos pelo rádio. A unanimidade da crônica entende que o Figueirense mostrou que está vivo, que está acertando o time, que o torcedor ficou contente. Toda essa avaliação assanhada dos colegas é decorrente da virada de 2 a 1, no Scarpelli, sobre o Atlético Goianiense, na sexta passada.

Outra vitória heróica dessas, arrancada a ferro e fogo de mais um adversário qualificado (só se for de “crime qualificado”) e o pessoal das cabines já vão achar, de certo, que estamos voltando para a Série A.

E ainda é capaz dos cartolas da Participações acreditarem nisso. Aí venderão metade deste "super time" para algum país produtor de petróleo.

Continuem aplaudindo e vamos parar em Quixeramobim para apresentar o “grande teatro dos bonecos de pau”. Será que lá tem linha para transmissão?

A QUEM INTERESSAR POSSA: hoje tem reunião dos iluminados no Scarpelli. Nem frio na barriga me dá mais...

sábado, 19 de setembro de 2009

O misterioso seguidor “البرااااااااااااااااااق العربي”

O post anterior me dá a oportunidade de dividir um assunto aqui, que vem me chamando a atenção.

Já faz tempo que o “البرااااااااااااااااااق العربي” é seguidor aqui. Ele nunca postou comentários e como se vê mantem-se incógnito. Respeito isso e o aprecio assim mesmo. Mas não posso negar a curiosidade em saber quem é. Acho até que o conheço, se meu faro de repórter estiver afiado. Um sheik árabe eu sei que não é.

Como diz o Rei Roberto, “eu te proponho...” rsrsr. Mande um e-mail e declare-se, estimado seguidor. Prometo de joelhos guardar segredo. Os leitores do Blog são testemunhas desta promessa. Aguardo notícias do “البرااااااااااااااااااق العربي”.

O RSS tá na conta

O Renato Deggau, que me honra aqui, informa que está sempre de olho no Blog, não como seguidor, mas através do RSS. Faz essa lembrança gentil, espirituosa e pede para ampliar a saudação que fiz com a chegada do décimo seguidor do Blog, o “elias-andrade”. – Põe mais gente na conta, reclama o Renato. Tá incluído e seja muito bem vindo. Fique à vontade aqui. Um abraço.

A PROPÓSITO: estou precisando de umas dicas sobre RSS. Entendo tanto desse assunto, quanto o Dunga de humildade, por exemplo. Chego lá. Acho que o Dunga também.

O que está estourando nos corações alvinegros

Agora já estou em casa. Ouço daqui um foguetório espocando na noite chuvosa, mas não são muitos foguetes, são estouros quase constrangidos. Sabem porque? O pessoal ta comemorando a virada. O Figueira acabou ganhando de 2 a 1 do Atlético Goianiense no Scarpelli, depois de sofrer muito, com bolas na trave e a velha dificuldade, já corriqueira, do time acertar passes e parecer uma equipe profissional jogando.

Não consigo aceitar o fato de que esta diretoria tacanha, fria, excessivamente empresarial, descolada da emoção do futebol e da paixão alvinegra e distante do sofrimento da torcida, não tenha feito nada para evitar a queda para a Série B. Lembro muito bem que toda a crônica apontava a mediocridade do time que restou dos negócios feitos pelos iluminados da “Participação”. São carrascos dos nossos sonhos. Só pensam em dinheiro, balanços, lucros, investimentos em arenas, parcerias que só eles entendem. Sobem seus rendimentos, sobra arrogância e soberba, mas o clube, a equipe, afundam melancolicamente como um time desenergizado, disléxico, débil, sem criatividade, quase um grupo amador.

Não absorvo essa realidade tão cruel, de estar na Série B, decadência anunciada, produto da omissão da diretoria. No meio do ano passado, e isto é um absurdo, todos sabiam que a tendência era de nos esborracharmos rumo à segunda divisão.

Me irrita muito ver os cartolas do meu clube se lixarem para o time bisonho, pobre de talentos, sem vontade de ser o velho Figueira da Série A, dos grandes jogos e daquela valentia, daquele orgulho que tínhamos em ver tantos jogadores brilhantes e engajados no campo.

Para mim está claro: os iluminados da “Participação” estão convictos de que estão certos e que, muito provavelmente, irão atingir seus objetivos, ou seja, evitar que o clube caia para a Série C, vender mais alguns meninos que seriam os craques do futuro próximo e, se for possível, montar mais um timezinho para tentar ser a zebra de 2010 e ganhar o Campeonato Catarinense do rival que, aliás, não fez nada mais do que imitar o que fizemos há sete anos. Se os dirigentes do rival forem inteligentes e não abandonarem a paixão pelo clube, seguirão mandando no futebol no Estado, como já fizemos um dia. O rival que não se preocupe. Estamos entrevados, reféns de um grupo que se tornou estranho a nós na arquibancada e nas sociais. Enquanto amargamos e choramos essa desgraça, eles se divertem lá do alto dos camarotes envidraçados do Scarpelli, curtindo um bom scotch on the rocks, de costas para o gramado, como já vimos algumas vezes.

Foi o que nos restou. Soltar uns poucos fogos numa sexta-feira chuvosa como esta, comemorando uma virada apertada e sofrida de 2 a 1 sobre um Atlético Goianiense. Patético e cruel demais!

Minha camiseta alvinegra, aquela da "Fame", vai ficar por um tempo, ainda, guardada (com esse time de 2009, o melhor a marca "inFame". Na prateleira, o manto alvinegro que tenho, limpo e conservado com respeito, ele não sentirá a vergonha que temos toda segunda-feira, ao cruzar a Felipe Schmidt.

Saibam os poderosos que estão hoje com as chaves do Scarpelli que pode-se enganar a massa por algum tempo; pode-se enganar esta massa por muito tempo; mas não se pode enganar a massa sempre. Um dia esse pesadelo termina e a emoção, a garra, o amor desta massa pelo grande alvinegro no Estreito, varrerá toda essa maldição e virá a bonança de um caminho de volta para o lugar onde nunca deveríamos ter saído.

Me desculpem os leitores pelo post longo, amargurado, triste, desesperançoso e incomum neste Blog, mas é um desabafo e um grito de dor e indignação, e é só isso que resta a esta nação, constrangida, envergonhada, flagelada.

Me perdoem. Não falarei mais sobre este assunto.
Achei este gol, 1 a 0 sobre o Internacional/RS, lá em 2006. Ironicamente, 20 de setembro, dia da Revolução Farroupilha. Série A, Figueira confiante, no campo e na arquibancada. PFC a cabo hoje, para nós, só no You Tube. Fazer o que?! O jeito é rever.

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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Figueira toma um gol e eu não acredito!

O Paulo Branchi acaba de narrar um gol na Guarujá. Estou na redação da rádio. Ninguém sabe o nome do jogador. Deve jogar menos que o Badu, com as duas pernas engessadas. O gol é do Atlético Goianiense. O Figueira está perdendo por 1 a 0, dentro do Scarpelli. Escrevo bem devagarzinho. Pode ser que vire o jogo e não precise postar isso. O Wilson acaba de fazer um milagre. Vou desligar tudo e sair correndo.

Me achem uma tomada de 220 volts para enfiar os dedos!

Só tá faltando não ter petróleo no pré-sal aqui de Santa Catarina.

Que mundo é esse? E o Sarney nem se mexe...

Tá feia a coisa!

O filme de terror que já vimos em 89! De novo, não!!

Não, não, ... mil vezes não! Pelo amor de Deus, meninos, não façam isso! Não enlatem o discurso, não emburreçam a idéia! Vocês são a ilustre salvação na tevê aberta!

Esse triste filme nós vimos em 1989, quando sepultaram a criatividade da vez, chamada “Perdidos na Noite”. Neguem, neguem, neguem tudo, não aceitem nada, pensem nas criançinhas do Brasil, na juventude...! Sim, nós podemos... ter vida inteligente na televisão brasileira! Não nos abandonem, não nos deixem só! Não podemos engolir, nem digerir isso... “CQC, a gente se vê por aqui”. Nós não vamos suportar isso! Tá bom, a gente concorda, deixem o Sarney lá, não se fala mais nisso...! CQC, ame-o ou deixe-o, era só o que faltava! Me tira o tubo! Não pode ser verdade, é muito azar o nosso..., primeiro aquela mola no olho do Massa, depois o cartão vermelho do Suplicy que o Sarney nem deu bola..., e agora essa!

Me nego a clicar para assistir isso! Me acordem desse pesadelo!


EM TEMPO: Um solidário amigo, sobressaltado também, mas já em recuperação, me liga e confirma que o Tás desmentiu tudo oficialmente. Foi só fofoca. O sonho não acabou!

As oportunidades dos ataques e contra-ataques

Na balada deste assunto das viagens de políticos para fazer cursos ou participar de missões oficiais, fico sabendo que o secretário Estadual da Educação, Paulo Bauer, acaba de viajar para a Finlândia. Informam seus assessores que foi buscar subsídios, conhecimentos de Educação para o Estado.

Fui até dar uma olhada no mapa pra ter certeza. O país nórdico, do Norte da Europa, é vizinho da Rússia. É mais um caso em que uma autoridade pública faz uma viagem longa, internacional, e pouco ou nada se divulga sobre as motivações ou objetivos deste “investimento” feito com dinheiro público.

É provável até que o secretário esteja buscando algo relevante para a Educação do Estado, como relevante foi os cursos feitos pela senadora Ideli, que defende com razão a permanente capacitação dos atores políticos. Bem preparados serão mais eficientes.

No entanto, como não temos conhecimento sobre os valores destas viagens (inclusive os financeiros), dá-se oportunidade à maledicência ou qualquer outro raciocínio que se queira imaginar. Esse é o ambiente óbvio da suspeição, muitas vezes, equivocada, sotismática, como foi o caso da senadora Ideli. Como pode ser o caso do secretário Bauer.

A senadora faz, agora, um esforço de recuperação de informações e da sua imagem, com evidentes prejuízos políticos, vítima de uma falha de comunicação quando viajou e, posteriormente, do oportunismo de seus adversários e da factualidade obrigatório do jornalismo. Na viajem do secretário os riscos são idênticos, com a diferença que ainda há tempo para a assessoria correr no site da Secretaria e postar um texto cuidadoso, oferecendo a transparência e a cautela necessárias. Fora isso, o contra-ataque é iminente. E de-lhe explicações depois.

A vida como ela é...

O Helio e o tu...tu...tu...tu da entrevista

O Helio, leitor deste Blog, deixa um comentário interessante sobre o post abaixo. Tem razão nas ponderações. Já disse que também tenho convicção de que foi coincidência o que aconteceu na entrevista da senadora Ideli.

Fiz a provocação aqui levado pela frustração de ter dividido o tempo da senadora com uma audiência ministerial. Fico com a impressão, sempre, que a atenção que temos são, comumente, brechas secundárias da agenda de nossos parlamentares. Em que pese toda a admiração pessoal que tenho pela senadora, de longa data, achei próprio chamar sua atenção e instiga-la a falar mais e melhor nas entrevistas futuras. Nada mais do que isto.

De passagem, diga-se que este humilde Blog esforça-se para ser um livre espaço de idéias e manifestações, de todas as ordens, de quem quer que seja.

O Helio, atento observador, pode ter a certeza que a senadora nunca precisou "tentar" me encontrar. Sempre que isso quis conseguiu. E assim será. Sem problema algum.

Uma discordância apenas, com a licença do Helio: entendo que a verdadeira “patuléia” – referida no comentário, coitada, é historicamente explorada, é desinformada, despolitizada e carente. É covardemente usada pelos velhos lobos de sempre, que não se conformam com a renovação e as dinâmicas da vida. Então, ficam produzindo essas marolas em águas turvas na tentativa de confundir o debate real. Quem dera a “patuléia” fosse nós..., expressando-se com o eruditismo e a sutil ironia do Helio. Fôssemos “patuléios” assim, esses maroleiros já não fariam tanto barulho. E não pense alguém que oferecemos voz demasiada a eles. A dialética nos impõe esse comportamento ético, aparentemente ingênuo ou maldoso. O tempo e as boas teses sempre vão depor a favor e fazer a história evoluir. Basta ter inteligência e ousadia, valores que aprecio e que vejo no comentário do Helio e, também, na senadora, de especial forma.

Não conheço o Helio, acho, mas já o estimo pelo pouco que falamos por aqui. Coisas do Blog e como diz o Paulinho da Viola “e a vida continua...”

Um abraço Helio. Apareça.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

- Tu...tu...tu...tu..., a Ideli desligou. Foi coincidência. Foi?!

Ontem entrevistei a senadora Ideli no Conexão da Tarde, na Rádio Guarujá. Lhe indaguei sobre as denúncias da Folha de São Paulo, na semana passada, sobre os cursos que fez no exterior junto com assessores, com gastos de R$ 70 mil. Ela repetiu a defesa que já havia feito em outros veículos, dizendo que o processo foi todo dentro do que permite a lei e não vê mal nenhum que um senador e seus colaboradores se aprimorem para trabalhar melhor nas funções públicas.

Sinceramente, também acho que não nada de errado nisso, exceto a falta de divulgação destas viagens, na época, o que esvaziaria o que veio em forma de denúncia. Uma notícia velha e banal jamais ganharia a tonalidade. Um barulho, produto de uma falha de comunicação social.

A senadora defendeu a necessidade dos cursos e adiantou que aconselharia seus colegas a faze-los. Aliás, Ideli, comentou que diversos colegas de Congresso de Santa Catarina, também fazem viagens internacionais para estes fins e usam verbas da Casa. Ela só não contou quais foram os colegas. De certo não quis revelar por alguma razão.

Posto o episódio, imagino que nenhum parlamentar catarinense tenha feito viagem semelhante ou pretenda fazer. Caso contrário, é de se presumir que igual exploração do fato poderá vir à baila durante o processo eleitoral e neste debate quem vai assistir de poltrona para fazer sua avaliação derradeira é o eleitor.

Quem ouviu a entrevista sabe que a senadora desligou o telefone no ar, antes da conclusão da entrevista, exatamente no momento em que lhe indagava sobre a má vontade do ministro da Integração, Geddel Vieira Lima, com os assuntos de Santa Catarina, na liberação de recursos - no caso do Porto de Itajaí - e, agora, quando a tesoura anda afiada nos cortes do orçamento. Ideli pediu licença para encerrar a ligação, já que o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, estava lhe chamando para uma audiência em seu gabinete. Pediu desculpas, até.

Quero acreditar que foi apenas uma coincidência a senadora ter desligado o telefone no momento em que tentava saber a opinião da Líder do Governo sobre os humores do ministro Geddel.

Iria postar ontem este episódio, mas não foi possível. Faço agora. Acho que ainda em tempo para tirar as dúvidas de quem acompanhava a Guarujá. Foi mesmo uma coincidência. Ou não?!...

Tire suas dúvidas no replay.

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As perigosas da praça

Pra quem não sabe, existe uma espécie de “spc” de empresas que tratam mal seus clientes e prestam serviços de baixa qualidade. É o Cadastro de Reclamações Fundamentadas do PROCON-SC. Ele está lá no site www.procon.sc.gov.br.

O Cadastro é montado a partir de reclamações dos consumidores e ficam registradas no SINDEC, o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor. Ele é uma exigência do Código de Defesa do Consumidor, no seu art. 44 e está funcionando em unidades no país.

Lá no Cadastro consta o ranking com as empresas mais reclamadas no Estado. Entre as dez com maior número de reclamações, registradas no período de 1º de setembro/2008 a 31 de agosto/2009, pasme o leitor, estão de grande porte e multinacionais. No topo, surpreendentemente, está a mais famosa marca de áudio e vídeo que embala grande parte dos nossos sonhos de consumo: a Sony, com 132 reclamações, 6,83% entre todas da lista de 15.728 atendimentos do PROCON-SC. Aparecem na sequência a já esperada Brasil Telecom/Oi, Nokia e Magazine Luiza.

Necessariamente, as empresas relacionadas não são bichos-papão, com 100% de chances de problemas, mas um aviso prévio, um alerta. Vale a pena dar uma olhada no Cadastro antes de abrir o bolso ou assinar qualquer coisa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Até quando aguenta a lingerie da professora...

O Bodelaire tinha razão mesmo sobre nós. Nada mais emblemático do que esta professora, de saúde inquietante, que resolveu soltar todas as suas frangas lá na Bahia, exibindo um fio dental e a compressão das entranhas, rebolando, provocando as fantasias e entupindo este youtube de tantos navegadores.

Ainda que perdoada toda sua irresistível “semvergonhice”, já que o poeta se referia a uma nudez castigada, e a professora demitida assim não estava, seu maior pecado é o pecado que não é dela, mas o que ela denuncia com a sua bizarrice, com sua alegria vulgar e débil.

Envergonhados e constrangidos de pecado ficamos nós, por termos políticos que produzem professoras assim, tão fora de lugar e tão carente de seu real papel, não em palcos rebolando, mas nas lousas, ensinando o b-a-bá, o 2+2, alegrando crianças e não excitando marmanjos.

Triste essa nossa vergonha, produto da nossa omissão histórica e imperdoável, causadora desta falta de Educação generalizada e esta cultura empedernida, justificando todos os meios para se ter o sucesso fácil, previsível e barulhento, oco e sem consistência, diluindo o sabor dos prazeres, tornando grosseiro o que deveríamos só ver de soslaio, com graça e estilo, com sabedoria, com enlevo, com respeito a este êxtase íntimo, consumido tão banalmente hoje na calçada, sob as luzes do público, longe da boa penumbra e do mistério que eternizava nossas fantasias de antigamente.

Leio por aí, nesses sites escandalosos, que a professora nem é mais professora. Agora ganha dinheiro, dizem, como bailarina contratada. Coitada! É no máximo uma coquete, de um brilho e de paixões com validade vencida logo, logo. Vão lhe explorar as ancas e puxar-lhe a lingerie até que não reste mais nenhum gemido nas platéias e nos monitores da web.

Que nos perdoem as lindas e leves bailarinas de verdade, de outros palcos e teatros.

O décimo “seguidor” do Blog

Pode parecer apenas uma vaidade, um detalhe menor, mas a adesão de mais um “seguidor” do Blog é sempre um fato que comemoro com alegria e responsabilidade redobrada para tentar responder às expectativas de quem quer se informar com precisão, independência e criatividade. Saúdo com grande carinho a chegada do décimo “seguidor”, o “elias-andrade”. Grato pela confiança e o prestígio de todos os dez. Alguns deles são meus queridos conhecidos, colegas e inspiradores desta humilde militância digital. Vamos seguir atentos, fazendo por merecer esta consideração.

Lanchinho básico

Todo mundo finge que é chique, cheio do dinheiro e ninguém reclama. Em Congonhas você faz um lanchinho assim: um cafezinho pequeno R$ 3,50; um Beirute – que leva uma fatia de queijo, presunto, tomate e uma folha de alface por R$ 10,50; e uma bomba de chocolate por R$ 5,50. Ora, pessoal, mas o que são apenas R$ 19,50 por um lanche? Gente faladeira... Coisa de pobre!

Apertem os cintos, o glamour sumiu!

Definitivamente, viajar de avião não é mais sinônimo de sofisticação e conforto. Registrei alguns exemplos claros da precarização dos serviços tão glamourosos no passado.

Na chegada a primeira novidade: acabou o atendimento em guichês para o chek in. Se você tiver apenas bagagens de mão pegue uma boa fila e vire-se com o pequeno auxílio de um funcionário apressado para tirar de uma máquina eletrônica o tíquete de embarque, igual ao do mercado da esquina. Dizem que isso é moderno e mais rápido.

Da sala de embarque em Congonhas até a aeronave, os passageiros ficam uns bons minutos de pé em outra fila, aguardando um ônibus que depois de lotado faz um trajeto longo e desconfortável.

Para acomodar-se, apenas passageiros magros e ágeis conseguem se movimentar direito, tamanha é a dificuldade de se movimentar em espaços tão reduzidos. Sentado na poltrona, é regra viajar de braços cruzados para não colocar o cotovelo no colo de quem está ao lado. Alguém como o Jô não conseguiria entrar ali.

Na chegada em Florianópolis, o avião estacionou à pelo menos 600 metros do portão de acesso ao desembarque. O detalhe é que a área de pista estava totalmente vazia. Sorte é não estar chovendo. À noite, sereno, vento e uma boa caminhada com bagagem de mão já estão de bom tamanho.

Ia esquecendo as novas salas de embarque que improvisaram no nosso Hercílio Luz. Salas frias, sem nenhum aconchego ou serviço e cadeiras acanhadas, quase sem estofamento. Não é mais confortável que a sala de espera do dentista.

Já do lado de fora do aeroporto, espera-se outros bons minutos que os taxistas se organizem para o passageiro embarcar de ir para casa, finalmente.

Pra não ser totalmente ranzinza: tinha um tapetinho vermelho nas escadas do avião. Que luxo minha gente...!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Paulistanos e os camarões na Lagoa

São Paulo - Quando nos enxergam aqui, os paulistanos salivam e logo lembram da sequência de camarão da Lagoa da Conceição. Disse a eles que a nossa cidade está cada vez mais cheia e que chegam, em média, 13 pessoas por dia para morar em Florianópolis. Então eles logo vão se defendendo. – Tá bom, tá bom, a gente vai lá só pra comer o camarãozinho e volta logo...

Dois dias em São Paulo. Lembranças e desafios

Estou em São Paulo desde ontem. Junto com o Paulo Branchi – coordenador de esportes da Rádio Guarujá, fizemos uma produtiva visita e algumas reuniões com os colegas da Rede Eldorado de Rádio. Fomos também à sede da ESPN Brasil, conhecer a estrutura de redação e estúdios da mais famosa emissora de televisão especializada em esporte e que mantém uma parceria de sucesso com o Grupo Estadão.

O prédio do Estadão é um ícone do jornalismo. São nove andares dedicados à comunicação. Na redação do jornal cerca de 300 jornalistas abastecem de notícias os cinco cadernos diários. No segundo mezanino estão os estúdios, redações e central técnica das rádios Eldorado AM e FM. Funcionam neste prédio, ainda, os sites Território Eldorado.com.br e Estadão.com.br, a agência de notícias Agestado e o AE Investimentos, um departamento exclusivo de especialistas dedicado às notícias de Economia. Circulam por ali cerca de 4 mil funcionários. No último andar, onde fica o restaurante do Grupo, pode-se avistar boa parte da mega-São Paulo e seu complicado trânsito, sempre engarrafado, a qualquer hora do dia.

O ambiente é de uma “Meca do jornalismo”. Respira-se notícia e o clima é de um estresse familiar e contagiante.

Sampa não me é estranha. Já morei aqui mais de um ano, trabalhando como repórter. Tanto o Estadão como a Folha não são novidades, mas é sempre impressionante revê-los. É como Brasília e as formas ousadas do velho comuna Niemeyer, sempre surpreendentes.

Um momento especial foi conhecer os estúdios da ESPN, amplos e sofisticados. O detalhe é que naquele lugar funcionava a grande TV Tupi, que foi a Rede Globo dos anos 60 e 70. O local que abriga hoje os vários cenários de programas esportivos da ESPN, há 40 anos era o auditório da Tupi, onde, por exemplo, era transmitido ao vivo, para todo Brasil, o Programa Flávio Cavalcanti, um mestre criador de quase tudo que se faz em TV até hoje, com qualidade, com elegância e de um sensacionalismo criativo, inteligente, que garantiam estupendas audiências a cada domingo. Basta lembrar que a TV Globo resolveu criar o “Fantástico” para competir com o Flávio Cavalcanti. Que quebra um velho editor de imagens da ESPN ainda me conta, ogulhoso, que ali naquele estúdio também se apresentou o pequeno Michael Jackson, com todos os manos “Jackson Five”.

O prédio antigo da Tupi é hoje do Grupo Sílvio Santos. O SBT, nos seus primeiros anos, funcionava ali. Hoje, além da ESPN, ele abriga, também, a MTV.

O objetivo das nossas visitas em São Paulo é aperfeiçoar as relações com a Rede Eldorado no sentido de equalizar a programação, compatibilizando o noticiário nacional e internacional com as coberturas jornalísticas estaduais e da Região da Grande Florianópolis.

Daqui há pouco volto para Floripa. O Paulo já seguiu para Campinas para narrar o jogo do Figueira, que encara o Guarani, logo mais.

Levo boas inspirações para a coordenação de jornalismo da Guarujá.

Negros entraram há 300 anos pela Amazônia, não pela Bahia!

Prometi na quinta-feira passada que iria anunciar aos leitores o dia da entrevista na Rádio Guarujá com o historiador Geraldo Peçanha de Almeida sobre sua tese de doutorado que conta a trajetória da Cidade Negra, perdida há 300 anos na Amazônia, a qual é apontada em seus estudos ter sido a porta de entrada no Brasil dos negros africanos, ainda no século XVIII. A informação contraria a tese que a Bahia tenha sido a primeira a recebe-los. A defesa da tese desta descoberta está acontecendo neste instante, no Setor de Comunicação e Expressão da UFSC.

Vamos entrevistar o estudioso amanhã, a partir das 4 da tarde, no “Guarujá Entrevista” e pode ser acompanhada pelo rádio (1.420 kHz/AM) ou pelo site (www.radioguaruja.com.br).

Geraldo já é autor de mais de 20 outros livros, todos voltados para histórias e descobertas. "Eles não são marroquinos, não são português, não são índios, não são brasileiros. São diásporas", adianta o autor sobre a instigante Cidade Negra.

Pra quem gosta dos temas históricos será um prato cheio.

domingo, 13 de setembro de 2009

Domingão do Alec

Imagino que se todos os pais tivessem a sensibilidade que o do Alec - menino de apenas dois anos de idade, teríamos muito mais talentos revelados desde cedo. Encontrariam mais fácil esta felicidade da vida, desenvolvendo suas vocações. Há quem passe uma vida inteira sem achá-la, sofrendo e se frustrando. Coisas das nossas escolhas de como evoluir...

É estimulante ver o jeito do Alec e a construção, certamente, de mais um craque da percussão, quiçá um músico eclético, um desses raros artistas que iluminam o mundo.

Além da pouca idade, o nosso baterista é um bravo. Seus primeiros seis meses de vida foram num hospital, enfrentando e vencendo grandes desafios. Ainda os enfrenta com desenvoltura e alegria.

Depois de uma semana inteira de chuvas pesadas e até tornados, abrimos este domingão – que felizmente não é só do Faustão, e brindamos uma nova semana com a performance do Alec, direto de San Diego.

E sabe do que mais? Vão tocar suas “baterias” também e deixem de reclamar tanto da vida!

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sábado, 12 de setembro de 2009

A pegada bluseira de David pra sacudir esse sábado “xaropão”!

O Lês Paul do Mais Barulho vai gostar. O pessoal todo que gosta da boa música e das infinitas possibilidades do blues, certamente, vai apreciar o vídeo que trago.

O David Scheitt é um virtuose, um desses predestinados a fazer de seis cordas sobre os captadores, sons que nos libertam e que nos fazem viajar na cauda de cometas. Ouvindo suas performances somos adolescentes, sonhadores, rebeldes, energéticos. Muito bom ter acompanhado boa parte da evolução do David, autodidata, e ver agora um artista beirando a perfeição de sua obra.

Lamento que o Brasil seja, ainda, um país despreparado para apreciar e valorizar seus filhos mais especiais. Enquanto consumimos em grande escala os previsíveis pagodes, axés, pseudo-sertanejos, pseudo-funk’s e os românticos reciclados, temos que catar esses trigos no joio para não nos confundirmos por completo nessa nossa mesmice.

Para os mais aficionados e atentos, nessa apresentação curta no festival anual “King Of The Blues”, que aconteceu no último dia 3 em San Diego da Califórnia, nosso David enfrentou uma “roubada” na sua pedaleira. Mas o incidente acabou virando mais um molho de improviso. Mostrou que, afinal, a nossa vida é mesmo um “jazz”, muitas vezes numa pegada de blues.

A sonzeira tem 3min42seg. Use aquele cabinho na saída de áudio do computador e ligue no amplificador. Aproveite e seja solidário, recupere um semelhante que esteja ouvindo a Cláudia Leite e chame pra perto. Boa viagem supersônica!


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sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Como comentar no Blog do Lula

O pessoal é rápido mesmo. Pensei escrever um post aqui, usando como ilustração uma cópia do Blog do Planalto, o blog do Lula, lançado na internet dia desses. Ia brincar com os leitores, pedindo que comentassem à vontade, vingando-se da impossibilidade de emitir opiniões no espaço criado pelo nosso presidente.

O Lula pisou na bola. Poderia ter evitado tantas críticas ao lançar um blog sem dar direito às pessoas de postarem comentários, como é usual por aqui. Poderia ter usado o Twitter, por exemplo, mandando apenas os textos sobre as ações do Planalto.

Quando preparava a redação deste post, fico sabendo que alguém, bem mais esperto e ousado, já havia tomado uma providência semelhante para contratacar a falta de transparência do blog do presidente.

No site de notícias da Abril, o pessoal matou a charada com criatividade. Veja:


SÃO PAULO – Se o recém-inaugurado Blog do Planalto não tem espaço para comentários, então, que outro site faça as honras da democracia: o ‘Blog do Planalto sem .gov’.O novo site, a bem dizer, é um “clone” que replica o conteúdo do blog original em sua página, mas com a diferença de possuir um espaço de interação entre os usuários. Abaixo de cada postagem, há a opção de comentá-la, sem processo de aprovação.
As mensagens, os textos, os vídeos e até mesmo as “missões” são idênticos na original e na cópia. A única diferença, além do endereço, está no layout e na disposição dos elementos, que no ‘genérico’ são, ao menos por enquanto, um pouco mais simples.
Depois de uma turbulenta estréia na última segunda, o Blog do Planalto (o verdadeiro, com ´.gov’) esteve inacessível durante algumas horas por subestimar a quantidade de visitas que receberia. A equipe se preparava para seis mil visitas simultâneas, porém, logo pela manhã, o site caiu ao receber dez mil acessos ao mesmo tempo.


Então, o leitor pode optar. Fazer o comentário lá ou aqui mesmo. Infelizmente, sou obrigado a reconhecer que no blog genérico, não este, é bem mais provável (quase certo) que o presidente irá entrar e acompanhar a movimentação.
Me lembrei de uma história dos Rolling Stones. Nos anos 80, era comum que LP’s piratas deles aparecessem antes do original. Conta a lenda – e eles nunca negaram isso – que a pirataria era consentida. Fico imaginando que este blog genérico é uma jogada do gênero. Assim, Lula saberia o que estão pensando dele, sem a necessidade de responder os comentários. Mas, ninguém se espante se o genérico, de vez em quando, traga uma tréplica de Lula. E é claro que ele irá negar a autoria da resposta. Ou não?!

Em Palhoça o nepotismo troca cadeiras e dê-lhe promessas

Foram anunciadas, ontem, mudanças no colegiado da administração municipal de Palhoça. As acomodações feitas vinham se impondo diante de tantas reclamações da comunidade no setor de obras. Há ruas e bairros na cidade de Palhoça que se pode dizer, estão abandonados.

Algumas delas pode-se ler com detalhes, com material fotográfico, nos sites de veículos locais e até vídeos no You Tube. São os casos do bairro São Sebastião, onde os moradores aguardam promessas desde a última eleição./

Há moradores que vivem há mais de 20 anos no bairro e convivem com lama, buracos e mato alto. É o caso da Servidão Silvio João da Silva. Um caso peculiar é uma precária ponte que foi construída por uma família, mas há onze meses cedeu e ameaça cair, para desespero dos motoristas e pedestres. Contam que em janeiro o Prefeito Ronério anunciou aos moradores que as obras para construção da ponte seriam iniciadas. A patrola da Prefeitura sequer apareceu por lá, até hoje.

N’outra servidão, a da Maria Martinha da Silva, o esgoto está a céu aberto. Os moradores disem que o prefeito teria até ficado bravo com as cobranças de calçamento. Lembram que a última vez que reclamaram ao prefeito foi há cerca de seis meses, durante um churrasco de inauguração do calçamento da Rua Manoel Duarte, próxima da servidão sem calçamento.

Os problemas acumulados na Secretaria de Obras parecem ser o motivo da troca do secretário. Ontem, Ronério deu posse ao seu irmão, Aroldo Heiderscheidt, substituindo o atual secretário Alberto Weingartner, o Beco. O irmão de Ronério, na verdade, está voltando à Secretaria de Obras. Ele havia deixado o cargo para coordenar a campanha de reeleição de Ronério.

De volta à pasta, Aroldo parece não estar preocupado em preservar a imagem do ex-colaborador do irmão, ao dizer que é preciso colocar a casa em ordem, o que quer dizer, obviamente, que a casa estava em desordem a bastante tempo.

Na ciranda das cadeiras do Executivo palhoscence, o prefeito Ronério tomou o cuidado para não somar no seu colegiado mais nomes de parentes. Para trazer de volta seu irmão, nomeou Arlene Marli Vagner da Silva para a secretaria da Assistência Social no lugar de Roseli Heiderscheidt, que é esposa de Aroldo.

A medida, ainda assim, pode provocar complicações ao prefeito de Palhoça, que já enfrentou problemas com o Ministério Público Estadual em 2008, quando teve que assinar um Termo de Ajustamento de Conduta, no dia 14 de abril do ano passado, junto com a Câmara de Vereadores para acabar com a prática do nepotismo na cidade, incluindo o chamado "nepotismo cruzado", aquele praticado entre Poderes.

Naquela época, o Ministério Público havia encontrado nove servidores comissionados na Prefeitura e que tiveram de ser exonerados. Todos parentes.

Se o Ministério Público resolver voltar à carga poderá aplicar as punições previstas no Termo de Ajustamento acordado. A Prefeitura e a Câmara estão sujeitas à multa de dez mil reais cada uma. O prefeito e o presidente do legislativo também poderão ser responsabilizados pessoalmente com o pagamento de multa pecuniária no valor de mil reais para cada servidor contratado, nomeado ou designado irregularmente. Ainda podem responder judicialmente pelo não cumprimento do acordo.

O Ajustamento de Conduta é uma iniciativa do Programa de Combate ao Nepotismo no Serviço Público desenvolvido pelo Ministério Público do Estado. Estas informações estão na Internet, no site da OAB catarinense, que cita como fonte o Ministério Público.

O prefeito Ronério, sempre atento com seu marketing político, poderá ter que passar pelo constrangimento de uma nova visita dos promotores do MP.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cidade Negra, perdida há 300 anos na Amazônia

Mazagão Velho, cidade localizada no Amazonas foi a porta de entrada no Brasil dos negros africanos, ainda no século XVIII. A informação contraria a tese que a Bahia tenha sido a primeira a recebe-los. A descoberta é tema da tese de doutorado de Geraldo Peçanha de Almeida, que será defendida no próximo dia 15, na UFSC, às 14h30, no Setor de Comunicação e Expressão.

O doutorando afirma que a cidade foi transferida primeiramente do Marrocos para Portugal, Portugal para Belém, no Pará até chegar às margens do Rio Mutuacá, região do baixo Amazonas, próximo às Guianas Inglesa e Francesa unificadas.

É o primeiro estudo acadêmico sobre esta comunidade que possui cerca de 12 mil pessoas.

Geraldo já é autor de mais de 20 outros livros, todos voltados para histórias e descobertas. A tese sobre Mazagão, que exigiu algumas viagens pelos continentes e muita dedicação, foi toda desenvolvida com recursos próprios, sem nenhum patrocínio. Em breve, espera-se que este importante trabalho vire livro, trazendo entrevistas, fotos, relatos colhidos naquela comunidade que vive como 300 anos atrás se vivia no Marrocos. "Eles não são marroquinos, não são português, não são índios, não são brasileiros. São diásporas", completa o autor.

A Leda Limas, nossa pauteira na Rádio Guarujá, já está agendando uma entrevista especial. Assim que for confirmada, aviso os leitores do Blog. Vai valer ouvir!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Mínimo/SC aprovado e as performances pobres de sempre

Os deputados estaduais acabam de aprovar o projeto que cria o Salário Mínimo Regional. Na Região Sul, somente Santa Catarina, ainda duvidava desta necessidade. Chegamos atrasados nesta discussão, já superada por paranaenses e gaúchos, há quase uma década.

O projeto era de origem do Executivo – como manda o rito da matéria. Até o último voto, a TVAL transmitiu um festival de discursos já bem previsíveis para um ano pré-eleitoral. Galerias cheias, imprensa cobrindo. Inflamadas manifestações no plenário, demonstrações bizarras de populismo – que infelizmente ainda funcionam. Uma ribalta irresistível para performances e exibicionismo político.

Não precisava nada disso. Todo mundo sabia que o projeto seria aprovado.

Pedir recato, elegância e menos afetação numa sessão como a de hoje seria pedir demais.

Fazer o que?... Faz parte do show.

Filhos, árvores e as podas que nos cabem

O Edo Scheitt, que mora em San Diego da Califórnia/EUA, meu cunhado, mandou dia desses uma reflexão bem a propósito das dificuldades que temos, muitas vezes, com a criação de nossos filhos, mesmo depois de adultos.

Ele usa a metáfora de árvores que nascem, crescem e ganham formas diversas e, invariavelmente, à revelia do que planejamos para eles.

Se bem entendi o que quis dizer o Edo, é onde entra a arte de uma boa poda. Não se pode calcular ou desenhar os galhos, ramos e folhas que esta árvore terá ao longo de sua existência. Sequer prever o quanto ela irá ou não crescer.

O tempo traz paciência e sabedoria para observar as tendências da sua evolução. Com podas bem estudadas, usando de sensibilidade e equilíbrio, vamos reforçar suas bases, qualificar formas e conteúdos e, mesmo sem controle sobre a profundidade de suas raízes e suas folhas expostas, sabe-se lá a que altura, passamos a reconhecer valores e evoluções que sequer prevíamos.

Descobrimos nos seus redemoinhos de galhos e ramos uma beleza própria, criativa, produto da sua vivência íntima, rebelde e inexplicavelmente íntegra, desapegada e protagonista.

O Edo tem razão: nossos filhos são árvores de incontáveis possibilidades. Podas oportunas irão desafiá-las a nos surpreender sempre.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

As nossas evoluções

A Amanda dos Anjos Corrêa, minha filha, faz um comentário sobre o post "Diferentes, andando como iguais" e me enseja um pensamento bom. Um dos raciocínios básicos dos espíritas me convenceu a admirar esta grande tese kardecista sobre a passagem nesta vida. Diz que na trajetória da nossa existência - que sempre segue um destino de evoluções - podemos optar por não fazê-lo, alongando sofrimentos. Mas, mesmo assim, jamais vamos involuir. Isto explica por que temos mais ou menos dificuldades nesta vida. A escolha é sempre nossa.

Neste caso da aceitação e do respeito à sexualidade alheia, sem preconceito e discriminação, seguimos a bons passos uma maturidade e o encontro, sem culpas, com nossos “eus” e diversidades que habitam nossas almas e ambientes. Não vejo, felizmente, mais e mais pessoas enfermas de homofobia. Arrisco dizer que os empedernidos encontram-se em franca extinção. Proscrito este mal sobra-nos mais tempo para cuidar de assuntos ainda mais complexos deste nosso “planetinha”.

Afeto que pode virar abuso

Cena de verão comum aqui nas nossas praias: filhos pequenos na beira da praia brincando de fazer castelos na areia. Em minutos, os calções, sungas e biquínis deles ficam cheios de areia. Se deixar terão que tratar logo mais de assaduras. Para evitar isso, pais e mães correm lá e passam a tirar aquela areia toda acumulada, passando as mãos, com o cuidado e o carinho comum nessas horas.

Há poucos metros desta cena um casal de turistas observa e tira as suas conclusões. Eles chamam a polícia e denunciam que aquele pai ou mãe está abusando sexualmente do filho pequeno, passando as mãos nas partes íntimas da criança. Dizem, ainda, que para completar a perversidade criminosa a criança foi beijada na boca.

Acho que o leitor deve ter entendido de que assunto falo e em que contexto imagino esta situação.

É evidente que ressalvo todos os cuidados da autoridade policial/judicial com uma possibilidade real de abuso, para o que se exige o rigor da repressão com punição exemplar.

Retrato aqui o duro momento que vivemos neste mundo, maldoso e cheio de comportamentos quase inexplicáveis. Nessa balada, nossos melhores gestos de afeto podem se confundir com o bizarro e o monstruoso.

Que mundinho esse, complicado como está...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Calói dobrável e as gurias fazendo baliza

O 7 de Setembro sempre traz uma saudade da minha primeira bicicleta, uma "Berlineta" Calói dobrável azul, guidon do tipo chopper, uma novidade naqueles anos 70. No feriado de hoje a gente ia no armazém do bairro e tomava um sorvete de copinho pra depois usar a tampinha de plástico. Ela era presa com um prendedor de roupa no quadro da bicicleta, na roda traseira, de forma que encostasse nos raios fazendo aquela barulheira. A gente achava que aquilo imitava o som de uma moto de verdade. Umas fitas verde-amarelas ajudavam a enfeitar a “bici”. Não faltavam as bandeirinhas do Brasil distribuídas pela Ditadura Militar e o catavento. Os guris mais abonados tinham, ainda, uma buzina estridente, que funcionava com uma pilha grande Rayovac. Assim, íamos para a avenida principal dos bairros, desfilar entre as gurias, que faziam baliza. Vestiam malhas brancas e meias de nylon colantes. Quase batíamos no meio-fio da calçada olhando a evolução daquelas pernas de hormônios efervescentes. Dividíamos a emoção de perfilar pela Pátria e ficar tão perto daquelas bailarinas no asfalto. Éramos felizes e sabíamos. Era lúdico, ingênuo e delicado.

No resto dos dias daqueles anos, longe dos desfiles cívicos de setembro, o governo perseguia e matava seus inimigos e nossos pais fingiam não saber de nada. Crescemos assim, fingindo muitas outras coisas. Ficou, entre tantas lembranças, aquela intrépida Calói inesquecível.

Diferentes, andando como iguais

Eles dois estão chegando tarde demais. A Parada na Beira Mar já passou. Mas o que importa mesmo é o respeito que um tem pelo outro, mesmo tão diferentes. Andam lado a lado, como seres, cada um com suas potencialidades, qualidades e defeitos. Seguem seus caminhos e para manterem esta harmonia não precisam partilhar das mesmas idéias ou objetivos. Aceitam-se e respeitam-se. Isto é o que importa.

Ano que vem essa duplinha aí é capaz de chegar a tempo em Florianópolis.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Momento “drag”

Tá, eu sei, é brincadeira. Mas o tal preconceito à brasileira vem assim também, disfarçado, cheio de bom humor.

Daqui a pouco vou ancorar um debate na Rádio Guarujá, reunindo figuras conhecidas na cidade por suas posturas e opiniões divergentes sobre homossexualidade e tudo que está se discutindo nesta Semana da Diversidade. Promete ser uma discussão acalorada e própria para quebrarem-se paradigmas.

Na condição de “simpatizante”, resolvi vestir hoje uma camisa social “rosa pink”. Acabei provocando meus colegas. Não houve um que não tenha feito uma observação. Umas criativas, outras bem previsíveis.

Engraçado e instigante o que se deu. São reações que misturam uma excitação geral, permeada de bom humor, mas sem conseguir esconder um preconceito renitente e quase preso no DNA de cada um. Foi, talvez, o meu momento “drag” desta Semana.

Os intocáveis

Não há como negar que a economia do País vem apresentando ganhos, vem amadurecendo, modificando até maus hábitos da nossa sociedade, como consumir com mais responsabilidade. Somos mais seletivos. Boa parte desta mudança pode se atribuir à Lei de Responsabilidade Fiscal, criada há 9 anos. Foi um exemplo que veio de cima e uma prova de que o comportamento de nossas autoridades púbicas contamina, para o mal ou para o bem, o inconsciente coletivo. É claro que não viramos o país de Alice, mas é inegável que melhoramos.

Faço este comentário para falar dos juros – que também vem baixando (nos últimos seis meses tivemos uma sequencia de reduções da taxa básica, descendo de 13,5% para 8,5%). Mas esta tendência vem sendo ignorada olimpicamente pelas operadoras de cartão de crédito. Chegam ao deboche de elevar juros na contra-mão da Selic.

Vamos combinar: o comportamento do nosso sistema financeiro é uma aberração. Entra e sai governo e ninguém tem coragem de mexer nesta libertinagem constrangedora e histórica, sob a permissão, o patrocínio e a omissão do Banco Central brasileiro. Estão acima de quase tudo, os intocáveis.

Os dirigentes lojistas do Estado estão lembrando esta realidade. “Os únicos juros que não baixaram foram os dos cartões, que em alguns casos até aumentaram”, aponta Osmar Silveira, presidente da CDL de Florianópolis. “Está mais do que na hora de o governo federal intervir para regulamentar a atuação dessas empresas”, desabafa o líder lojista.

Será que há mal que sempre dure?!...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

É uma bagunça, mas chamamos de modernidade!

Momento atípico, ontem, na sessão plenária da Assembléia Legislativa. Os deputados deram-se conta que aprovaram um projeto com erros e que já foi até sancionado pelo governador e entra em vigor nos próximos dias. Ele trata da exigência de vigilantes de segurança nas lotéricas e agências dos Correios, que viraram bancos de uns anos pra cá. O erro está em exigir a contratação destes vigilantes sem uma discussão prévia com as lotéricas sobre a viabilidade econômica da providência.

Entre nós: sabemos que esta história de casas lotéricas virarem correspondente bancário, fazer pagamentos, saque de dinheiro, conferência de saldo, é uma liberalidade com a marca do improviso, da bagunça, tipicamente brasileira. Por que o Banco Central não tem autoridade para exigir dos bancos mais respeito, melhor atendimento aos seus clientes e infra-estrutura mínima para atender a população com conforto, eficiência e segurança, as nossas autoridades preferem dar uma volta, tangenciar o problema e não resolve-lo. Abre-se, então, todo tipo de loja, que vão de uma portinhola de garagem, onde pode funcionar uma lotérica, até redes de muitas delas, todas sem as mínimas condições que um banco deveria oferecer a clientes. Precariza-se tudo! Empregos, relações trabalhistas, e o atendimento - não por culpa das lotéricas, mas porque são lotéricas e não bancos e deixam a desejar fazendo algo para o qual não foram criadas. Infelizmente, é tudo meio assim por aqui.

Nessa linha da “casa da mãe-joana”, pode-se vender remédio no bar da esquina, bala, chocolate e até óculos em farmácias, paga-se carnê de lojas no caixa dos supermercados, livros e revistas no posto de gasolina, café na livraria e para não deixar dúvidas sobre a nossa capacidade de bagunçar o coreto, é possível comprar na barbearia comprimidos azuis, aqueles que levantam..., suspeitas sobre idoneidades em geral.

O projeto da vigilância para as lotéricas será alterado, de forma rápida, prometem os deputados da Assembléia. Dos males o menor. Eles erraram, reconheceram o erro, e estão corrigindo o mico.

Resumindo a ópera esse é um problema que deveria ser resolvido por quem criou, a Caixa e o Governo Federal. Quando passaram boa parte de responsabilidades para as lotéricas, tinham que viabilizar, também, segurança nas lojas, a mesma de suas agências. E não vamos esquecer dos bancos privados. Eles também já conseguiram esta benesse, usando os Correios, como se agência bancária fosse. Tudo dentro da lei, com a concessão do Banco Central, e chama-se essa confusão toda de modernidade.

O que mais vão tirar do lugar, hein? Tenho até medo de perguntar!

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