terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

No trocar dos anos

Estou trocando de idade. Mais uns meses e chego aos 50, espero. O Carlos Damião, solidário e carinhoso amigo, entra na redação e tenta me confortar: -não muda nada, é tudo igual... Não é bem assim, infelizmente.
Lembro que nas férias que se encerraram neste final de semana passado usei muito a serra circular. Uma potente máquina elétrica de corte de mão. Recomenda-se prática e bons reflexos no seu uso e um pouco de força para porta-la. Confesso que não me sinto mais tão à vontade com ela, como antigamente. Começo a namorar umas serras de bancada, mais seguras e confortáveis.
São coisas assim, por exemplo, que mudam e vamos nos adaptando. Mas há outras que melhoramos. Mais adiante, talvez, fale delas aqui. Quem se arrisca a falar?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

De volta

As férias terminaram. Volto hoje, ancorando o programa da tarde na Guarujá, a partir das duas. Andava mesmo agoniado, mas confesso que não tive tempo de fazer tudo que pretendia, a começar pelas leituras atrasadas e alguns cd's que ainda esperam pela primeira audição. Chego lá. Há ainda uns afazeres domésticos (coisas da editoria do "faça você mesmo) que seguem na fila de espera.
Conto com a companhia de todos neste recomeço no ar. Entrevistas, debates, opiniões, os colegas de reportagem, a velha adrenalina nossa de cada dia.
Navegar é preciso. Até.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Um close súbito para John

O velho Dankworth está bombando no You Tube. Pode-se dizer que é o sentimento mórbido de visitarmos os que jazem. Prefiro não pensar isso. Quero acreditar que a grande maioria faz uma adequada homenagem ao mestre saxofonista, assistindo-o, sorvendo a sua arte de qualidade rara.
Escolhi trazer ao Blog um momento bem passado de John, acompanhando a sua esposa Cleo Laine, interpretando o clássico “Oh Lady Be Good”. Eles estavam casados há 7 anos, dos 52 que viveram juntos. Uma bela história de vida, singrada sob o melhor do jazz.
No vídeo, Dankworth aparece sempre ao fundo, pilotando seu sax tenor, ao lado esquerdo de Laine.
Ainda um pouco arrepiado, como contei no post abaixo, registro mais um sinal que me toca. Assistia há pouco este vídeo pela segunda vez, buscando algum detalhe para contar aqui. Foi quando aconteceu. Minha banda larga anda instável. Caiu, mais uma vez, subitamente e o vídeo travou. Sabem em que instante? No único close em John Dankworth do velho filme.

Salve John!

O jazz morre um pouco

Ouvi na Guarujá/Eldorado agora. Levei um susto! Casualmente, estava atualizando o Blog e ouvindo um pouco de música pelo You Tube. Ouvia precisamente John Dankworth. Estou arrepiado até agora.
Ele faleceu ontem, conta a sua companheira, Cléo Laine, intérprete do jazz, casada com o mago do sax desde 1958. John tinha 82 anos. Informa o Estadão que ele morreu em um hospital londrino, de causa não revelada. Nem importa mesmo.
Pra quem ainda não dimensionou a perda por aqui, o velho Dankworth tocou com os melhores da sua trupe, como Nat King Cole, Ella Fitzgerald e Oscar Peterson.
Como venho dizendo, ta ficando bom lá em cima.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Um bolero de respeito com Marília

Prometi que postaria uma música da "cantriz" Marília Barbosa. Ela mesma mandou. Lhe agradeço este carinho. A canção é linda, composição de nada menos do que Ary Barroso. O arranjo é de Cristovão Bastos e a interpretação da Marília só confirma a sua delicadeza e o fino trato de seu repertório.
Ela me mandou um novo e-mail falando de seus trabalhos em NYC, do pai de seu filho, o jazzman Nilson Matta, que foi indicado ao Grammy do ano passado e de seus planos para novos trabalhos. Ela vai continuar me mandando essas pérolas em primeira mão para o Blog.
Para quem gosta de música de bom gosto, de qualidade mesmo, curta esse bolero, cheio de harmonias interessantes e a bela voz da Marília.
Recomendo, com um scotch on the rocks, mas pode ser com uma Intisica, com gelo também.
Com vocês "Contra a Vontade".

domingo, 31 de janeiro de 2010

Somos presumidos mal educados

De férias, ando mais pelos chopins (o Rui Magela vai me buzinar de novo..., mas eu adoro escrever o inglês assim...). Tem coisas muito mais interessantes pra se fazer, com certeza, mas são imposições da vida. Fazer o que?
Nos passeios (sic) não registrar alguns dos verdadeiros desrespeitos que estes senhores gestores de chopins fazem com a gente. Trago alguns aqui, pra vocês me dizerem se estou certo ou ficando velho e sem paciência ou, ainda, tudo junto.
A foto é auto-explicável, sem legenda, não fossem as conversas que tive com alguns funcionários destas praças de alimentação. Uma aberração, considerando o bom senso e a velha educação tão surrada nestes tempos.
Tudo é descartável. Pelo jeito, acho que até nós. Copos, pratos, talheres e os guardanapos, que foram os precursores do usou-jogou-fora. Há quanto tempo não vejo um guardanapo de linho. Ah, sim, isto é coisa de restaurante internacional, diz o pessoal...
Perguntei pra moça porque o chope não vinha numa tulipa, num copo de vidro adequado. Ela me disse que quebravam muito e a maioria era roubado. É, eu disse roubado! A explicação para os pratos é a mesma. Fico imaginando como um sujeito sai do chopim com um prato e um copo de louça e vidro escondidos da roupa. Deve ser um mágico vigarista! Detalhe: achei uma pastelaria que vende um bom chope servido em canecas geladas. Mas tome o seu sem fazer muito alarde. A caixa me disse que eles fazem isso quase escondidos (sic!).
Agora, a história dos talheres de plástico é patética. Além dos roubos, outro funcionário me contou que é por motivo de segurança. Eu pedi para ele me explicar melhor. - É pra evitar acidentes e até o uso deles como armas na praça de alimentação.
Então, vamos combinar que somos todos presumidamente mal educados, desequilibrados mentais e criminosos, a ponto de não podermos usar talheres de metal. Bem feito, quem mandou não estudar!...
Quanta cara-de-pau! Quem sabe o governo cria um incentivo fiscal para que os nossos empreendedores de chopins se dignem a investir na qualidade de seus serviços, comprando talheres decentes, contratando mais funcionários para recolher e lavar os artefatos e reforçar a segurança, evitando o uso das "armas brancas". Era só o que faltava!
Uma dica: não banque o pretenso educado, levando sua bandeja usada, com sua sujeira descartável para aquelas lixeiras tão bonitinhas. Deixando-as nas mesas você estará garantindo o emprego daqueles trabalhadores da limpeza nas praças. Deixe tudo ali, ligeiramente bagunçado e lambuzado. Acredite, você estará fazendo o certo. Afinal de contas, somos mau educados mesmo, supostamente até violentos, não esqueça...
Se os chopins são a maravilha do mundo capitalista e deste consumismo doido que estamos metidos, de carona vem essas pérolas que temos que engolir em seco, achando a coisa mais normal deste mundo moderno (sic).
EM TEMPO: pra quem ainda não sabe, o último chopim da região que ainda não cobrava estacionamento (outro absurdo pra quem deixa o carro ali para consumir), agora já está cobrando também. Outro, um dos mais antigos, está divulgando nas máquinas de tíquetes que haverá uma promoção no estacionamento e que os valores vão sofrer mudanças. Adivinha o que vem por aí?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A genialidade do Doutor Brizola

Assisti uma do Brizola ontem na TV Senado genial, num desses programas especiais sobre o Golpe Militar de 64.
Entre muitos depoimentos interessantes (programa bom, vale a pena conferir), lá vem o Doutor Brizola com as suas belas tiradas:
- O Golpe, na verdade, se consumou no dia 1º de abril, não em 31 de março, como ficou divulgado. O 1º de abril provocaria, com certeza, uma gargalhada nacional, ninguém, iria acreditar (...) Uma gargalhada bem dada derruba um governo...
Ando relendo Leonel Brizola no You Tube, matando as saudades. Jamais votaria nele, como a maioria dos brasileiros, mas concordava com tudo que ele dizia. Coisas nossas...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De férias. Mas prometo mais Marilia.

Me perdoem os leitores aqui do Blog pela raridade dos posts. Estou de férias e mais desligado do que a minha banda larga (recém contratada) várias vezes ao dia. Retomo as atividades oficiais no dia 8 de fevereiro. Então volto ao normal. (Espero que a "banda" também).
Recebi dia desses mais um e-mail da "cantriz" - como ela mesmo diz - Marília Barbosa. Ela me mandou, em primeira mão, uma música que acaba de gravar, do Ary Barroso. É uma delícia. Prometo postar aqui em breve. Tá ganhei sua autorização pra isso.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O que somos e o que não somos

“A sinceridade pública é ridícula”. A frase é do meu pai. Ele disse que ouviu de alguém. Procurei no Google pra saber de quem. Não achei. Acho que é modéstia dele. A frase é cheia de sabedoria e isso é a cara dele. Fazer e dizer coisas importantes sem reivindicar a autoria. Coisa de sábio.
O que ele quis dizer é pra não sermos tão francos, como muitas vezes sou por aqui. Vou guardar isso como uma dica de alerta.
Me lembrei do Caetano: “de perto ninguém é normal”, que releu Tolstoi sobre os círculos familiares. Ninguém costuma confessar suas manias, suas vontades, seus prazeres, sexuais ou não. Invariavelmente, são bizarros, escandalosos para o olhar público, fonte de pesados comentários entre amigos e inimigos.
Então, nunca diga por aí que você adora cozinhar pelado, por exemplo. Definitivamente, esqueça de comentar com alguém que você curte um montão assistir o Chaves e morre de rir quando ele diz “isso, isso, isso...”
Bem, algumas coisas também bastante bizarras são as exceções na ridícula sinceridade pública. Diga em quem você votou para o “paredão” do BBB10. Você foi mais longe e assinou o canal full time pra ver a performance completa do Bial e seus pupilos? Relaxe. De perto todo mundo é igual. Ou não?
Tomara que não!

domingo, 24 de janeiro de 2010

Quem já não foi baiano?

Ia em direção à Ponte Pedro Ivo Campos. Vinha do Estreito. Quando faço o trevo e converto à Via Expressa, passa por mim um flamejante Toyota preto tipo sedan, de vidros quase negros, através dos quais quase não dava para ver um homem dos seus 40 anos acompanhado de sua esposa, muito provavelmente.
Passava das duas da tarde e os dois mostravam uma alegria incontida. Eram turistas. A certeza estava na placa: BA – BOM JESUS DA LAPA.
Ela portava uma não menos flamejante filmadora, dessas digitais, moderníssimas. Parecia uma cinegrafista policial, tamanha era sua habilidade e concentração no registro da entrada da Ponte.
Na verdade, o que me chamou a atenção daquele casal baiano foi a performance do motorista. Ele parecia mirar o logo da Toyota no meio do capô na linha pontilhada que dividia a primeira e a segunda pista da Ponte, como se fosse um desses motoqueiros truculentos e suicidas. Foi assim, até o final da Pedro Ivo.
O critiquei com os meus botões, mas imediatamente lembrei que todo turista é assim. Todos, cada um de nós que está de férias e em visita numa outra cidade. Ou será que o leitor nunca fez aquele retorninho providencial não permitido? De bermuda e sandália, CD do Bob Marley bombando, e o seguinte raciocínio pra boi dormir: - ah, mas eu não sou daqui..., como se o Código de Trânsito da sua cidade fosse diferente de todo o País. É assim que somos todos, turistas, em qualquer lugar do mundo, pelo menos deste mundo aqui.
Turista com pedigree fala alto, ri de quase tudo, dá gorjeta pro malabarista argentino, compra no sinal água gelada e aquela raquete pra matar insetos e na praia a maioria é fácil identificar: guarda-sol colorido das Americanas ou da Havan, cooler Boêmia ou Skol da promoção do Big, livros de auto-ajuda que ganharam de alguma tia no Natal e o celular pra ligar de meia em meia hora pros parentes e amigos pra tirar uma onda. Se tiver criança, tem ainda uma gritaria danada, hora dos baixinhos, hora dos altinhos.
Não se encaixou em nenhum desses pitorescos detalhes? Não? Você nunca foi turista.
Por tudo isso, nem esquentei com aquele baiano do Toyota, entre uma pista e outra na Pedro Ivo, deslumbrado, ele e a esposa.
Fiquei só pensando num diálogo arrogante com eles:
- Estão chegando à Floripa, de férias?
- Sim.
- Viajaram bastante, a placa é da Bahia...?
- É, estrada de um dia inteiro, mais de mil quilômetros...
- Mas vai valer a pena, vão passar uns dias num belo hotel, curtindo boas praias, camarão, cervejinha, natureza por todos os lados, legal, hein?
- É.., legal. E você também está de férias aqui como a gente?
- É, quase isso. Eu moro aqui.

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