sábado, 31 de janeiro de 2009

As imagens que levaremos pra sempre

O You Tube virou o meu play ground. Tenho “viajado” nos seus arquivos e, vez por outra, me emociono, sozinho, vendo e ouvindo as imagens do meu País, da minha geração, tão ingênua, tão utópica e tão romântica. Éramos uns maravilhosos bobões.
Não resisti trazer de lá um vídeo do Chico e do MPB4, num dos Festivais da Record (1967), quando conhecemos “Roda Viva”, uma obra prima, cheia de mensagens subliminares, muito a ver com aqueles tempos de chumbo.
É de impressionar a qualidade do som, captado por apenas um microfone, vozes e instrumentos. Que arranjo, que sonoridade! Lindo ver adolescentes, jovens e adultos vibrando a cantando juntos. Impossível não se perguntar: onde andariam eles hoje? Que privilegiados foram, testemunhas daqueles momentos! Curtam esse remember!
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Muito calor, pouco papo

Uma recomendação espírita me inspira nesse sábado quente, cheio de coisas melhores pra fazer, do que escrever aqui. “Se você não tem nada de bom para dizer, então esforce-se para ficar quieto e escute mais.”
Sugiro a vocês um suco de limão com menta ao som de "My Funny Valentine", do Chet e muito silêncio em volta. Tá bom..., vai..., um pouquinho de vodka!
Então tá.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Olha o palavreado...!

A redação é um dos lugares mais saudáveis do mundo para um jornalista. É o nosso habitat, a jaula onde gostamos de ficar, falando mal e bem de todos e tudo. Onde se emociona, se fica uma fera, experimenta-se as piores e as melhores adrenalinas. Choramos e rimos várias vezes ao dia, muitas vezes.
Dou um exemplo, daqueles que rimos muito. São essas histórias do dia-a-dia de uma rádio.
Essa o Janiter De Cordes é que contou. Numa jornada da Guarujá, ano passado, o repórter Júlio Casto entrevistava torcedores ao final de um jogo do Avaí.
- E aí, amigo, o que achou do jogo?
- O jogo foi bom, foi uma beleza, o Avaí se continuar jogando assim vai subir para a Série A, foi um jogo “ducaralho”!
- Opa, peraí, amigo, vamos manter a elegância, olha o nível..., reclamou o Júlio.
- Tá bom, tá bom, me desculpe, mas eu quero que o Figueirense “se foda”!

Quem são as forças poderosas, prefeito?

Muito reveladora a entrevista dada pelo prefeito Dário Berger ao Diário Catarinense, ontem, sobre as razões de tanta pressa em aprovar em período extraordinário projetos de grande relevância para a Capital.
Diz o prefeito que “projetos como as reformas administrativa e previdenciária não seriam aprovados em sessões normais devido a forças poderosas de interesses contrários".
Esta é uma declaração surpreendente, que necessita maiores esclarecimentos do prefeito, tamanha é sua gravidade. Que forças poderosas são estas? Que interesses contrários são esses? Contrários a quem estes interesses? A sociedade precisa saber quem são os reais protagonistas do poder instalado na cidade.
O que chama atenção, também, são as repetidas entrevistas exclusivas que o prefeito Dário vem dando aos veículos do Grupo RBS. Nada contra o Grupo, muito pelo contrário. O admiro muito pelo seu profissionalismo. O que causa espécie é o prefeito se reportar à sociedade de forma tão "seletiva". Não precisava. Será que o secretário Arenhart está omisso a isto? Ele é jornalista e, com certeza, poderia corrigir este problema. Ou não?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Os fatos como eles são, por Gean

Entrevistei o presidente da Câmara dos Vereadores, o vereador Gean Loureiro, agora pouco no Jornal da Noite/Rádio Guarujá sobre os fatos que desde segunda-feira vêm mobilizando a cena política da Capital.
Os acontecimentos relatados e confirmados por ele, até este instante, são os seguintes:
- A Câmara Municipal entrou com recurso na Justiça nesta quarta-feira, por volta das cinco da tarde, pedindo a revisão do sobrestamento, permitindo que as sessões extraordinárias sigam normalmente.
- A presidência da Câmara comunicou o prefeito Dário Berger sobre a aprovação dos quatros projetos (incluindo o mais polêmico deles, que cria o Instituto de Previdência dos Servidores Municipais) na manhã do dia seguinte da votação (terça-feira).
- A Justiça notificou a Câmara sobre a suspensão das sessões no final da tarde de terça, ou seja, depois da presidência já ter comunicado o Executivo sobre as deliberações.
- Imediatamente ter recebido o comunicado do Legislativo (ainda na terça), o prefeito Dário sancionou os quatro projetos votados e aprovados e autorizou a publicação de sua deliberação no Diário Oficial. Até aquele momento – e pelo que se sabe até agora – o prefeito ainda não havia recebido as citações judiciais. ( No início da entrevista, Gean dá entender, que Dário já havia sancionado e publicado as matérias: "...deve ter sancionado...". Mas depois, perguntado especificamente, afirmou que soube pela imprensa)
- A expectativa do presidente Gean é que a Justiça revise a sua decisão ainda nesta quinta.
Nesta quinta, se o prefeito resolver ampliar seus contatos com os demais jornalistas, ele poderá dizer, pessoalmente, o que fez com os projetos advindos das sessões extraordinárias da Câmara.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Os blogs e o bom jornalismo

Meu ilustre e velho amigo e competente colega Carlos Damião abre uma discussão sobre a rapidez dos blogs e a credibilidade deles. É um assunto interessante que requer a reflexão de todos, principalmente de nós jornalistas, diante desta nova forma de exercer a comunicação social.
Me parece que os blogs são um meio. A fonte está por trás deles, como sempre esteve. A possibilidade da velocidade de propagação da informação que ele oferece é algo fascinante e perigoso, que seduz qualquer profissional de imprensa. Uma visão apaixonada pelo softwear é ou pela própria informação publicada – o que seria mais grave - pode significar um antigo problema nas redações: a pressa em “furar” a concorrência com o risco da perda da qualidade da informação ou até a deturpação dela, decorrente do mínimo recato que se exige do jornalismo sério.
Baseado nessa premissa de boa conduta profissional, pela preservação da credibilidade, na maioria das vezes, uma notícia muito bombástica, seja ela de onde vier, sempre exigirá uma checagem dos fatos, uma ou duas vozes a mais para confirmar ou corrigir e/ou agregar mais qualidade à informação. Esse procedimento é histórico e básico na profissão de jornalista e recomenda-se que assim se aja diante de qualquer fonte, principalmente aquelas informais e amadoras como são – ainda – a maioria dos blogs.
De resto, vale dizer também que nenhum veículo ou profissional de imprensa deve se sentir sobrepujado ao ser “furado” por um blog. Pela sua natureza, os blogs – até inventarem algo ainda mais veloz (dizem que os tweters o são...), têm obrigação de ser mais rápidos do que a mídia tradicional.
Obviamente, sou muito a favor dos blogs e blogueiros, mas eles não vão superar o velho rito do bom jornalismo. Muitos são ótimas fontes a serem acompanhadas e salvas entre os nossos "favoritos". No máximo.

Sofrimentos pelo mundo. Lá e cá! (II)

A constatação que fiz ontem segue a sua senda de tristezas, sem fronteiras.

A foto bem que poderia ser legendada assim:
“Homem desesperado em Gaza ao perder toda sua família de uma vez”
Mas a imagem não é de lá. É daqui, de Florianópolis. A legenda original:
“SC Homem é resgatado após ficar 3 dias perdido no esgoto”
Mas não gastem todos os lamentos aqui, não. Há muitos de nossos homens públicos perdidos há muito mais tempo, sem chance de resgate.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Debate entre vereadores no JN, na Guarujá

Foi no ar, agora pouco, que acertamos entre os vereadores Deglaber Goulart (PMDB) e João Amim (PP), um debate no Jornal da Noite/Rádio Guarujá para a próxima semana. Na pauta a reforma administrativa proposta pelo prefeito da Capital Dário Berger. O oposicionista João Amim promete bons argumentos para acusar muitas falhas no projeto do Executivo.
Ainda esta semana vamos acertar a data precisa. Será um momento importante da política local. Vamos ver. De minha parte prometo respeitar rigorosamente o "regimento" jornalístico.

Sofrimentos pelo mundo. Lá e cá.

A legenda desta foto poderia ser qualquer uma das duas:
“Prefeitura começa a cadastrar moradores de rua em Florianópolis”
“Moradores da Faixa de Gaza sofrem com bombas e perdas de familiares”
A crueldade humana, infelizmente, é universal. Há quem defenda as atitudes com teses e eloquência, na ONU e em blogs, sem a menor vergonha na cara. Que mundo é esse?...
A foto é de Gaza.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Golpe na praça. Cuidado com a moça!

Me contaram essa, achei boa demais e passo a vocês.
Um sujeito foi ao supermercado, passou por uma experiência inusitada e resolveu avisar seus amigos:
- Olha pessoal, cuidem-se, por que há um golpe na praça. A gente chega ao supermercado, no estacionamento, e vem uma garota sarada, daquelas de fechar o trânsito, e começa a limpar o parabrisas do carro, se esfregando toda no vidro e a gente só ali, naquele espanto. Aí, ela vem falar com a gente, como se fosse uma pessoa carente, pede um dinheirinho e já vai entrando no carro. Para surpresa da gente, ela puxa de uma arma e manda a gente ir para um lugar ermo, distante. A gente vai, é claro, com aquele revolver... Sem pestanejar, já com o carro parado, no meio do mato, ela tira toda a roupa e ataca a gente. Cuidado, viu, pessoal, ela não é brincadeira. Eu fui atacado ontem, fui hoje e vou ser amanhã também...
PS.: Desculpem as leitoras do Blog com a história tão cafajeste, mas achei uma pérola.

“Perdoa-me por me traíres”


Me desculpem o espanto e a indignação diante de fatos que hoje a maioria das pessoas já absorveram como coisa comum e normal. Ouço com tristeza a declaração do deputado Michel Temer (PMDB/SP) ao avaliar suas certezas na eleição que pretende lhe levar à presidência da Câmara Federal. “Eu confio que no voto secreto eles traiam a meu favor.”
Mas onde é que nós vamos parar, hein? Diria a minha avó, “é a primeira trombeta!”
A palavra “traição” ganhou um viés (a palavra da moda) quase doce.
Diria o velho Nélson, ...

domingo, 25 de janeiro de 2009

Há 25 anos as “Diretas Já!” explodiam em todo País. Ditadura agonizava!

videoEsta é a famosa matéria da TV Globo, que foi ao ar no Jornal Nacional, no dia 25 de janeiro de 1984, hoje fazendo 25 anos. Mais de 300 mil pessoas tomavam a cercanias da Praça da Sé, no centro de São Paulo. Explodia em todo o País o movimento das “Diretas Já!”. A Rede Globo, até aquele momento fazia o jogo do Regime Militar e tentava esconder uma evidência nacional, o enfraquecimento fatal da ditadura e o avanço das forças democráticas.
No vídeo, pode-se ver a edição contida, acanhada sobre a manifestação da Sé. O dia coincidia com o aniversário de 430 anos de São Paulo. O repórter Ernesto Páglia sabia das limitações que teria para ver sua matéria ir ao ar. Inteligente, lançou o aniversário na cabeça da matéria, mas reforçou as informações sobre o comício, e a participação maciça dos astros Globais no palanque que tinha Ulisses, Brizola, Lula, Quércia, Montoro, entre outros. Páglia, experiente e sutil, ainda editou um trecho estratégico de uma entrevista com o arcebispo Dom Paulo Evaristo Arns, que apoiava as oposições e defendia - entre linhas - a importância das manifestações do povo.
Os comícios tinham duas atrações fixas, que emocionavam a todos. A abertura era feita com a cantora Fafá de Belém, interpretando o Hino Nacional (ela chegou a incluí-lo no seu LP do ano). Depois cantava o “Menestrel da Alagoas”, canção feita por Milton Nascimento, que homenageava o senador Teotônio Vilella, que morrera um ano antes e se transformou numa figura heróica, lutando contra um câncer, sofrimento que não o impediu de percorrer todo o Brasil, pedindo reformas e eleição direta para presidente. A outra grande atração dos comícios era a aparição da “Musa das Diretas Já!”, a atriz Cristiane Torloni, na época casada com o psicoterapeuta da moda Eduardo Mascarenhas, que se elegeu facilmente deputado federal pelo PMDB, em 1986. Torloni, linda, na sua melhor forma, animava os comícios, saudada pela sua beleza e postura política corajosa para aqueles tempos.
Vejam (os mais jovens) a polêmica cobertura daquele dia histórico e revejam (os da minha geração em diante).

Florianópolis fez a vigília das “Diretas Já!”

videoAs imagens foram obtidas no You Tube. É o Jornal Nacional, ainda com o Cid Moreira. Dia 25 de Abril de 1984, dia da votação da “Emenda das Diretas”. A votação seria em dois turnos, na Câmara e no Senado. Durante a tarde aconteceram os debates entre os deputados, mas a votação mesmo, só aconteceria a partir das 7 da noite. O Brasil todo parou para acompanhar. Comoção nacional. A matéria não chegaria ao Senado, por 22 votos. Assista o noticiário editado, com um registro em Florianópolis e Porto Alegre. Bom ver as imagens da Praça XV, chamada pelo Cid de Praça Central.

25 anos: a lembrança das “Diretas Já!” aos nossos filhos


No dia 12 de janeiro de 1984, um comício em Curitiba/PR) dava início à onda de manifestações pelas eleições diretas para presidente da República e ao fim da ditadura militar.
O clamor nacional era resumido numa Emenda Constitucional, batizada de “Emenda Dante de Oliveira” ou “Emenda das Diretas”. Dante era um deputado do PMDB, militante do MR-8 e que mais tarde, viria a ser o ministro da Reforma Agrária do Governo de José Sarney, o herdeiro presidencial de Tancredo Neves, eleito em 1995. Dante ainda seria prefeito de Cuiabá (1992) e governador do Mato Grosso do Sul duas vezes (1994/98), morrendo prematuramente (2006) acometido de uma pneumonia, agravada pela sua diabetes.
Os comícios das “Diretas Já!” começaram a ser realizados nas principais capitais do País. Mas foi no dia 25 de janeiro de 1984, há exatos 25 anos, que o “Diretas, Já!” ganhou força nacional, com o comício realizado na capital paulista, na Praça da Sé (foto).
No mesmo dia a cidade de São Paulo completava 430 anos. Esta sobreposição de datas, do comício e do aniversário, inspirou a Rede Globo a tentar ignorar o movimento pelas eleições diretas. Uma multidão de mais de 300 mil pessoas na rua era atribuída pela reportagem da Globo à uma comemoração do aniversário da cidade, onde alguns manifestantes aproveitaram para pedir eleições para presidente. A estratégia não durou muito, já que a TV Bandeirantes passou a transmitir ao vivo os comícios pelo País, obtendo grande audiência em horário nobre.
Semanas antes da Emenda ir à votação no Congresso o Ibope apontava que 84% dos entrevistados apoiava as eleições diretas. Faltavam nove dias para a votação no Congresso e a cidade de São Paulo daria uma nova demonstração de força popular. Um comício das "Diretas Já!", no Vale do Anhangabaú, reuniu cerca de 1,7 milhão de pessoas. Ninguém havia visto aquilo na história do Brasil.
Mas tudo isso não conseguiu sensibilizar os 2/3 da Câmara dos Deputados. Embora a Emenda tenha obtido 298 votos favoráveis e apenas 25 votos contra, a ausência de 112 parlamentares do PDS, partido do Regime Militar, pesou. Faltaram apenas 22 votos para que a emenda fosse submetida ao crivo do Senado. Foi um choro, um lamento nacional. Minha geração jamais vai esquecer este dia. Foi como em 1950, perder a Copa no Maracanã. Mas, incrivelmente, a derrota não abalou a vontade popular. O movimento das “Diretas Já!” quebrou a coluna vertebral da ditadura e abriu o caminho para a redemocratização, representada naquele momento pela vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985 e a realização da Assembléia Nacional Constituinte no ano seguinte.
Não se pode contar a história recente do Brasil sem se falar demoradamente do movimento das “Diretas Já!”. É um marco a ser lembrado para sempre.
Já faz umas quatro horas que estou passeando pelo You Tube e pelo Google, observando com grande emoção as cenas daquela época. "Pesquei" algumas que divido com vocês aqui. Primeiro vai a foto, daqui a pouco publico as imagens.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Licença poética de sábado

Íntimo
No meio da noite, bêbado de sonho, desperto levemente, nem chego a mexer o corpo ou abrir os olhos. Só sinto um ventinho quente, leve, íntimo, próximo, a soprar meu lado de fora da mão, relaxada sob o travesseiro. Era tua respiração, a me abençoar os sonhos, depois daquele amor aeróbico.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A “limpeza” da cidade. Que vergonha!

Não iria tocar no assunto, mas a cosmo ética quase me manda dizer alguma coisa sobre este projeto da Prefeitura de Florianópolis que irá cadastrar os moradores de rua da Capital.
Logo que li a manchete entendi que era algo novo, revolucionário até. Mas logo senti toda minha ingenuidade, acreditar que teríamos um gesto tão humanitário.
O que imaginei? Pensei que as nossas autoridades municipais, em parceria com as estaduais e até federais, iriam ajudar essas pessoas, dar-lhes abrigo, comida, educação e capacitação, com a intenção de reincluí-las entre nós.
Nada disso. Vão fazer um cadastro “parente” da Lista de Schindler. Não vão tratar ninguém. Não pretendem ajudar ninguém. Pelo contrário. Serão listados e mandados embora para suas cidades de origem, para recomeçarem as suas vidas desgraçadas, as quais lhes fizeram vir para cá, tentar alguma coisa melhor.
Só quem tem uma visão míope da vida entende que estamos “limpando” a cidade. Enxergam esses pobres coitados como montes de esterco, de lixo, que devem ser recolhidos e levados para longe, onde não os enxergaremos mais. Me causa espécie ler e ouvir alguém fazer a tese dos que não são daqui e nada trazem de bom para cá, como se esta ou qualquer outra terra fosse propriedade de alguém, fosse um gueto, um clubinho dos bons moços. Sei até de gente que sempre se disse comunista, socialista e que todos somos iguais. Enganadores! Não resistem a meia hora de farinha pouca e já esquecem tudo que disseram e escreveram na vida para apressarem o seu pirão mal feito e indigesto.
O triste fenômeno é simples: nós, sociedade, não fizemos a nossa parte, não elegemos gente competente para nos governar, sequer cobramos o bom comportamento deles. Em conseqüência disso vêm os erros, os roubos, escândalos e a miséria, prima-irmã disso tudo. O que fizemos? Nada! Olhamos pro lado, colocamos a culpa no vizinho mais perto e, no vacilo da ética, colocamos o problema para debaixo do tapete o mais rápido possível, como por exemplo, mandando essa gente das ruas pra sofrerem mais longe, onde nossos olhos não podem ver.
Para arrematar esse comportamento desumano, os apoiadores da ação ainda fazem a tese da “limpeza” da cidade, "desses que não são daqui."
Me admira muito essa gente. Eles são de onde, hein..?!
O Cazuza tem razão: “A tua piscina está cheia de ratos...!”

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Brincadeirinha tupiniquim

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Resolvi fazer algo diferente na última segunda, dia da posse de Obama, no Jornal da Noite/Guarujá. Coloquei o discurso dele de fundo e li um texto em cima, falando dos significados de sua chegada ao poder. Mas na arrancada do discurso, Obama diz: "My fellow citizens: I stand here today humbled... (traduzindo, “meus compatriotas, aqui me encontro hoje humilde...”). A palavra “humbled”, em inglês, na voz de Obama, pode-se entender, claramente, no ouvido tupiniquim, “Rambo”. Foi, então, que o Diornes do Nascimento, nosso operador de áudio da Guarujá, lascou essa, quando eu me preparava para entrar: “Rambo? Mas esse governo vai ser bom...!”
Tive que me concentrar para não estragar tudo com uma gargalhada no ar...
Apreciem agora a brincadeirinha que fiz “by Diornes”, que só foi pro ar aqui, é claro.

A gelada no intervalo

O leitor Newton diz aqui que foi no Orlando Scarpelli, na segunda, e tomou sua cervejinha no intervalo do jogo, sem nenhum problema. O pessoal da segurança andou dizendo que a cerveja só poderia ser vendia nos estádios duas horas antes e duas depois do jogo e necas no intervalo. Achei uma bobagem, um absurdo até. A grande maioria pagaria "pato" por alguns irresponsáveis e sem educação.
Valeu o bom senso. Cerveja nenhuma incentiva a violência. O que precisa ser reprimido é o baderneiro que já chega no estádio calibrado e cheio de maldade na cabeça. Esse tem que ficar na catraca e se engrossar no camburão.
Alô galera do bem, a cervejinha tá liberada!...

Luvas

Olha, não posso negar que mexeu comigo aquelas luvas verdes da Senhora Obama na posse. Aquilo só pode ser um fetiche do Barack. Tô convencido disso. São mais do que exóticas. Fico imaginando a inveja da Mulher Gato... Bem feito!
... Onde mesmo vendem luvas aqui em Florianópolis?!...

A camiseta da senhora Obama

Tenho acompanhado o material fotográfico das agências de notícia pelo mundo, que estão cobrindo os primeiros dias do casal Obama. Noto que a senhora Obama aparece várias vezes ao dia com roupas diferentes, todas muito elegantes, diferentes, exóticas muitas delas, como aquelas luvas de couro, verdes.
Como um bom tupiniquim, fico aqui a pensar com meus botões. Será que a primeiríssima dama do mundo repete suas roupas? Vou mais fundo, respeitosamente, é claro: será que a senhora Obama relaxa em sua suíte vestindo uma camiseta, dessas que a gente ganha de brinde e só usa para dormir ou para cortar a grama em casa?
Aaah, essas camisetas..., quanto mais velhinhas melhor... até ela deve ter as suas...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Preconceito confesso

Algo de estranho está acontecendo comigo. O Obama tomou posse, ele já é o presidente do Império, já está morando na Casa Branca e eu ainda não senti nenhuma antipatia por ele. Ouvi vários pedaços do discurso dele. Arrogante, mas bom, o que se esperava. Um negro americano presidente. Imagino o que deva ser isso para esses branquelos metidos, que se sentem os donos do mundo. Será que este meu sentimento fraterno em relação a Obama vai durar muito? Confesso que me acostumei, ao longo de meus 47 anos, a desprezar norte-americanos. Um sentimento que hoje já não me faz bem. A minha geração aprendeu isso na militância política. Ando me beliscando. Será que podemos mudar, ainda? “Sim, nós podemos!” Tomara...

Ei-lo meninos, aproveitem...


...mas não sejam esganados. Não contem tudo de uma vez só. E não falo mais neste assunto!
Não insistam.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mais Elton: belo show, letras fracas e outras coisinhas

Não ia mais falar sobre o show do Elton John, no sábado, arranhado pelas “babadas” da TV Globo. Mas, o leitor Neemias deixou um comentário no post “Elton ótimo, apesar da Globo” que me provoca dizer mais algumas coisas, além das que já deixei lá respondendo a ele.
As canções, os arranjos, a presença forte de palco e a atitude criativa dos velhos rockeiros, fazem do Elton a figura interessante que ele é. Mas observando bem as letras (muito mal acompanhadas pelo GC – Gerador de Caracteres da Globo, nos mostram letras fracas, bisonhas até, que deixam a desejar no sentido poético. As letras, com preciosas exceções, são panfletárias, pobres, na arte poética, repito. Ele se atém ao fato gerador da letra e “viaja” pouco em metáforas, em poesia, o que daria uma universalidade maior à mensagem e provocaria mais a nossa imaginação. Me lembrei o tempo todo do quanto nossos compositores são bons, são talentosos neste campo.
Digo isso muito à vontade, por que sou um fã do velho Elton e consigo ouvi-lo com este sendo crítico. De resto, sobre a polêmica sugerida pelo leitor Neemias, pego emprestada a célebre frase do general Figueiredo, aqui em Florianópolis, em 1979, que marcou a Novembrada, quando lhe ofenderam a mãe: “Minha mãe não está em pauta!” Diria neste caso do Elton, “a sexualidade dele não está em pauta”. E se tivesse..., bem, isso é um outro debate.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Ainda o Elton John

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Fui conferir no You Tube a chamada da Globo, já que fiz aqui uma crítica pesada, quando falei que a Globo mentiu ao dizer que o show de Elton John seria "ao vivo". Me equivoquei. A Chamada não fala "ao vivo", e sim "direto de São Paulo", o que permite a gravação e a edição, mal feita, que reafirmo terem feito. Mas, a bem da verdade, reconheço que me excedi ao falar de uma "mentira". Não foi. O reparo jornalístico faz parte do cuidado com a credibilidade.
Pra não dizer que não falei de flores, vai aqui a "abertura" editada do Show de ontem, com a apresentação da chatinha do Fantástico. Vale a pena!

Elton ótimo, apesar da Globo


Foi patético o que a TV Globo fez com o show de Elton John, ontem à noite. Pra começar mentiram ao País. A chamada era que o show seria ao vivo. Ele subiu ao palco por volta das dez da noite, quando na tevê ainda estava a “Favorita” (não sei de quem...) no ar. Depois colocaram um pouco daquelas cenas bizarras do BBB9, numa festa, com gente comum, bebendo e dançando, como se isso fosse programa de televisão em horário nobre. No Brasil é. Lá pelas onze, entrou o show “ao vivo” prometido, pra lá de gravado e muito mal editado, cheio de defeitos técnicos, principalmente de suíte, na mesa de cortes, ao colocarem no ar, diversas vezes, câmeras fora de foco e de enquadramento. Alguma coisa aconteceu na grade de programação e nós é que pagamos o pato.
Durante todo o show fizeram cortes grosseiros e não levaram ao ar uma boa parte dos grandes sucessos do pop star. As legendas, com a tradução das músicas, foi um fracasso. Traduções estranhas, atrasadas, sem falar das vezes que o pessoal correu atrás, colocando legendas erradas.
No final, cortaram o show, sem biss, sem as despedidas normais do artista e meteram no ar a apresentadora do “Fantástico,” de improviso, mal vestida, lendo um texto às pressas, dando a impressão que o tele pronter tinha disparado, tamanha era a ansiedade da coitada, que ainda conseguiu chamar a edição do “Fantástico”- nada a ver com o Elton John. Os créditos finais passaram como o Felipe Massa numa bandeirada. Ridículo. Ah, não posso deixar de falar na vinheta e abertura e passagem. Bisonha, feita de última hora, nas coxas, como se diz. Num editorzinho de imagens caseiro a minha avó faria melhor...
Ao final, como era de se esperar o Elton John salvou a transmissão. Mesmo com o show “assassinado”, o velho Elton mostrou sua arte como poucos. Ele é bom demais!

sábado, 17 de janeiro de 2009

- Deixa que eu chuto esse pênalti!

Preciso registrar aqui um fato para ser justo. Ironizei (post “Reajuste das passagens”, de quinta-feira) a divulgação do percentual de reajuste das passagens de ônibus na Capital. Ontem, o prefeito Dário Berger anunciou um aumento médio de 6,66% e não 10% ou 9,81% conforme o "Conselhão" havia aprovado. Dário ganhou uns pontos com a população.
Só espero que toda a cena não tenha sido uma dessas jogadas ensaiadas: o "Conselhão" divulga um número lá em cima e o prefeito carimba o percentual cá embaixo, saindo-se herói do episódio.
Prefiro não achar isso.

A pegadinha sádica no estádio

Leio que a cerveja foi liberada dentro e fora dos estádios de futebol. Êba, que ótimo, finalmente uma decisão inteligente!. Valeu o bom senso. A grande maioria vai poder beber sua cervejinha, com prazer e educação. A minoria – que bebe, perde o juízo e provoca brigas – será retirada do estádio e será punida com a lei (pelo menos é isso que se espera)
Mas o Paulo Brank me lembra que a cerveja só será liberada até duas horas antes do jogo e duas horas depois do jogo. Detalhe: no intervalo, não póóóde!
Putz! Parece uma piada, daquelas sádicas: Tenho duas notícias pra te dar, uma boa e uma ruim. A boa é que a cerveja tá liberada nos estádios em determinada hora. A ruim é que o estádio está fechado na hora que pode beber. Tóinnnn!!!!
Não posso acreditar nisso.

Sem essa de optar por almoço ou janta. Os dois!

O jornal Notícias do Dia trouxe ontem uma matéria especial que evidencia bem a posição equivocada – novamente - da diretoria do Figueirense neste início de temporada. A reportagem traz a opinião dos dois técnicos, Silas (Avaí) e Pintado (Figueirense), que comentam o clima das equipes antes da abertura do Campeonato Catarinense. Diz o Silas que o time está preparado para enfrentar o Brusque e mostra o foco do time azurra em ser campeão da competição estadual. Já o Pintado fala da prioridade do Clube em voltar para a Série A, dando nítida impressão de ignorar o “catarinense”, desvinculado da linha do tempo.
Tenho dito na Rádio Guarujá que o caminho mais fácil de se montar uma boa equipe para o “brasileiro” é vencer o estadual. Do contrário, perder para o rival, significa desmontar o time, demitir o técnico, desmotivar mais uma vez a torcida e começar tudo de novo. Há quem lembre, para dizer o contrário, que o Avaí, em 2008, perdeu o estadual e não teve problemas para subir para a Série A. Um sofisma. O Figueirense só foi campeão estadual de 2008 porque Avaí e Criciúma entregaram de mãos beijadas o título. Ou não?
O colega Polidoro Jr. me provoca perguntando: queres ser campeão estadual ou voltar para a Série A? Digo a ele que uma coisa não exclui a outra, quero as duas. Equivale a perguntar a uma pessoa se prefere almoçar ou jantar. É normal que primeiro se almoce e mais tarde se jante. Fora isso, estamos tratando de alguém desnutrido, que não precisa ser o caso do Figueirense.
A diretoria do alvi negro segue maltratando sua torcida. Arrogância e mistérios.
Esse filme eu já vi e sei bem como termina. Vamos mudar o roteiro, senhores?...

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Liminares

Está no ClicRBS, no plantão do DC. A Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina recorreu nesta sexta mesmo da decisão provisória da Justiça, pois tanto os clubes quanto a Federação Catarinense de Futebol, responsáveis pelo campeonato, consideram o contrato de transmissão com a Rede Record desfeito. A nota mostra bem as expectativas da RBS em reverter o quadro a seu favor: “Até a publicação desta notícia (22h37min) ainda não havia decidido sobre o pedido de cassação da liminar, encaminhado pela Associação de Clubes de Futebol Profissional”, completou a nota no ClicRBS.
Já disse no Campo Crítico que teremos, provavelmente, uma “dança” de liminares.

É só ouvir a Guarujá


Só quem escutou a Rádio Guarujá durante o dia ficou sabendo de tudo sobre a decisão da Justiça em relação aos direitos de transmissão do Campeonato Catarinense de 2009. Uma liminar, expedida por volta do meio dia, deu à Rede Record os direitos exclusivos em canal aberto. Por volta das 13:40h a notícia era confirmada no ar, no programa Campo Crítico, pelo diretor operacional da emissora Paulo Hoeller. Ainda no Campo Crítico o repórter Janiter De Cordes falou ao telefone com o presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Peixoto (foto). Fora do ar, o dirigente disse que já sabia, mas iria se pronunciar somente depois da ação tramitada e julgada.
Ué, mas tenho a forte impressão que tinha lido e ouvido entrevistas do presidente Delfim, falando sobre este assunto... Será que o presidente resolveu se calar por que errou sua previsão? Mais tarde, a produção do programa Conexão da Tarde voltou a tentar uma entrevista com Delfim, mas ele reafirmou o silêncio. Apenas disse que o departamento jurídico da Federação está acompanhando o assunto.
Salvo alguma liminar contrária, a Record transmite os jogos, com exclusividade. Então tá!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Reajuste das passagens

Ontem foi divulgado que as passagens de ônibus serão reajustadas em 10%. Foi uma correria. Hoje, o prefeito veio à mídia garantir que nada está definido, nenhum percentual está determinado, em que pese o Conselhão já ter batido o martelo nos 10%. No meio da tarde, surgiu um número que minimizaria os 10%: o reajuste seria de 9,81%.
-Aaaahhhhh, bom, agora ficou bem melhor, que diferença ....
Esse pessoal é bom mesmo, não?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Uma história fria de Gaza

O colega Carlos Damião, dia desses, me contou um episódio desta guerra de Gaza que mostra bem as relações impressionantes de ódio profundo existentes, infelizmente, entre israelenses e palestinos, que cruzam todas as barreiras do bom senso e da racionalidade.
Um médico cirurgião brasileiro, dedicado a trabalhos de voluntariado e ações humanitárias pelo mundo, conta que prestou serviços médicos de emergência às vítimas da guerra lá na Faixa de Gaza e, a certa altura, tomou uma decisão: só atenderia crianças. Por quê? Ele contou que havia conseguido salvar o braço de um homem, ativista de guerra, numa complicada cirurgia reparadora. Dias após, depois de recuperado das fortes anestesias, sua primeira reação, olhando para o braço recomposto, foi assim: “que bom, meu braço de volta, posso continuar a atirar bombas contra eles”.
Crianças, crianças, sempre a nossa esperança...

Guerra de família


O Dr. Cordeiro, que é Procurador do Estado, amigo que sempre dá boas opiniões aqui no Blog, me desafia a falar da guerra entre israelenses e palestinos. É um tema difícil, que envolve a macro história, de muitos séculos. Tão complexo que se tivéssemos testemunhas imortais neste debate iríamos ver ninguém menos do que Jesus Cristo nesta mesa.
Dia desses acompanhei uma entrevista com uma jovem palestina, que nasceu em Israel, mas foi educada na religião islâmica. Sua educação em relação ao Estado de Israel dá o tom da complexidade do conflito. Para ela, Israel é a terra dos judeus, mas considera essa posse ilegal, são ocupantes na sua visão. A Faixa de Gaza é uma resistência permanente, uma espécie de teimosia em se defender uma Pátria. Paralelamente a isso tudo, ninguém desta guerra pode negar que todos os envolvidos são um mesmo povo, são “brimos”, como eles mesmos falam.
O que vemos todos os dias na televisão é uma guerra sangrenta entre irmãos. Mas há um dado alienígena, que não destoa dos demais conflitos hoje pelo mundo: a presença norte americana, com armas, com apoio tecnológico, estratégico e político. É verdade, a base da sociedade americana é judaica e este fator étnico tem um peso importante, mas sabemos que o apoio histórico dos Estados Unidos à Israel está ligado essencialmente às questões estratégicas do controle regional do mapa mundi, de interesses econômicos bem conhecidos e tudo é admitido sob esta ótica e pouco tem a ver com a etnia.
Se nunca fui simpático a esta política intervencionista norte americana – e o Iraque é um exemplo típico – me causa indignação mais esta posição dos EUA, que deveriam, desde sempre, ter uma atitude humanista, a partir da ONU, no sentido da solução para o reconhecimento dos dois estados, Judeu e Palestino.
A guerra é sempre injusta, tem seu DNA no ódio, é ruim sempre, é a legítima prova do quanto somos, ainda, primitivos, minimizando de forma criminosa a racionalidade, que nos difere dos outros animais do Planeta.
Volto ao tema.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O velho Júlio na linha

Quase onze da noite ou até já passava disso... Toca o telefone no estúdio e o Diornes do Nascimento me diz que é o Júlio Castro. Atendi e o velho Júlio queria só bater um papo rapidinho, entre uma entrevista e outra. Trocamos rápidas frases, de boa qualidade, como é cada vez menos freqüente, entre colegas e amigos. O Júlio só queria isso mesmo, simples e autêntico assim. Gostei daquilo. Ele está cobrindo férias de colegas na Guarujá e por isso foi deslocado de horário e está pelas manhãs. Me disse que o horário é bom, tranqüilo, mas senti na sua voz uma pontinha de saudade da jornada antiga de trabalho, no Jornal da Noite. O Júlio faz falta, para mim e para os ouvintes. Fazer o que? Não se pode querer tudo...
Um abraço Júlio!

Um presente “bem” especial


Chego em casa ontem, lá pela meia noite e trinta e sobre a cama um presente. Dizia assim: “Feliz Natal atrasado!” Abro feito uma criança. Dois envelopes caprichados a mão. Um escrito “Feliz Natal (bem) atrasado”e um CD dentro, do Dave Brubeck, “The Essential I”. O outro, com o “The Essential II”. Dormi embalado neste jazz fino, imaginando, sem ouvi-lo. Não sei se pela similaridade do nome ou pelo gosto musical, sonhei com o meu filho David, guitarrista, compositor, “blueseiro” de mão cheia que está longe. Levantei agora e me delicio com o presente “bem atrasado”. Uma bênção o Dave (e o David). O carinho “bem atrasado” foi do Lucas, o namorado de minha filha Amanda. Aconselho a todos, o CD, é claro. Uma delicadeza só. Coisa rara.
Valeu Lucas, acertou em cheio!
Adivinhem o que vai tocar como trilha no Jornal da Noite, logo mais (22h), na Rádio Guarujá?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Atrações no “Planeta”

Fico sabendo pelo Blog do Carlos Damião que o pessoal da Aprasc (os Praças Militares de SC), vão estar no Planeta Atlântida. Imagino que, por segurança, o Governo LHS também possa estar, de olho neles.
Fico a me perguntar: vão cantar o que, hein?

Mudanças na ortografia

Entrevistei na tarde de hoje o professor Alcides Buss, poeta e escritor, ex-presidente da união brasileira de escritores de Santa Catarina. O assunto era a nova ortografia nos países de língua portuguesa. Interessante assunto, que vai exigir mais atenção de todos nós que vivemos de escrever.
O mestre fez algumas considerações e deu exemplos, como a extinção do trema. A palavra "lingüiça" não vai perder o gosto, nem a pimenta, mas vai ficar mais leve, sem os pontinhos sobre o “u”. O Word, nas atuais versões, vai ficar uma fera..., vai ficar “falando” sozinho.
Disse ao professor Buss que vamos ficar, inapelavelmente, mais velhos. Lembrei dos nossos avós, que diziam, “eu sou do tempo que se escrevia farmácia com “ph”, lembram disso? Pois é, agora, vamos dizer, “eu sou do tempo que se escrevia linguiça com trema (o Word acabou de sublinhar a minha linguiça de vermelho. O azar é dele!)
Aproveitei e perguntei como fica a palavra composta “pára-quedas”. O professor disse que perde o acento agudo e o hífen e fica tudo junto, “mas isso é um detalhe”, considerou Buss. Lembrei ao mestre que o importante mesmo é que ele abra..., o resto pode esperar.
Pra encerrar a entrevista não resisti a um desaforo com os mais descuidados com a nossa língua. “Na verdade, essas mudanças na ortografia, para muitos, infelizmente, não vão ser “poblema”, completei. Ou não?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Lamentável e sem necessidade

Todos aqueles que travaram batalhas contra a ditadura e enfrentaram baionetas e a violência da perseguição, teriam obrigação de saber que a tentativa de intimidação e constrangimento ao bom jornalismo causa ao profissional - das mesmas origens históricas - somente a sensação do dever cumprido e uma rica evidência de que algo de correto, dito ou escrito, acertou fatalmente um calcanhar de Aquiles, aparentemente forte e poderoso, mas, no fundo, frágil, pobre e bisonho.
Infelizmente, há os que desaprenderam a arte democrática, então, mudam até o semblante e ganham tons arrogantes, deformados e reclusos. Uma pena.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

“Já podemos morrer em paz”

O Governo do Estado, pela primeira vez, resolve ceder e apresenta umas idéias para minimizar o problema dos Praças Militares de SC, que exigem o cumprimento da Lei 254. Oferece uma ajuda para as famílias de praças que morrerem em ação, a negociação de uma moratória de três meses para o pagamento de empréstimos feitos por policiais e bombeiros militares com empresas privadas e um plano de carreira para a Polícia Civil. É muito pouco. A oferta precisa melhorar. Esta é a opinião da categoria.
Em entrevista agora pouco no Jornal da Noite/Rádio Guarujá, o deputado Sargento Amauri Soares ironizou a proposta de LHS. “O que o governo está dizendo é que agora nós podemos morrer em paz trabalhando, que nossos filhos vão ficar bem. Não atende as nossas expectativas, até por que o nosso objetivo não é morrer”, diz o líder dos Praças. “O governador tem se mostrado desequilibrado no trato desta questão”, encerra.
Com a palavra o governador, tão silencioso até aqui.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O “Maraca”, quem quer compar?


O velho “Maraca” será privatizado, vai ser vendido até o final do mês.
Para pessoas românticas como eu, posso dizer que isso é mais um golpe no futebol-arte, no futebol tomado de emoção e que ainda é a grande paixão nacional. O Maracanã, que viu tanta coisa bonita, como as jogadas geniais do Garincha, os gols fantásticos de Zico, as arrancadas de Jairzinho, o gol mil do Pelé e aquele inesquecível 1 a 2, contra o Uruguai, exatamente na sua inauguração, em 1950, agora será propriedade de alguém, de um megalomaníaco qualquer, de uma empresa, provavelmente, dessas que pegam dinheiro público e se dizem privadas, com a maior cara-de-pau.
Dizem os vendedores do Maracanã, esses despudorados morais, que o governo não tem 400 milhões de reais para as reformas que ele precisa fazer para a Copa de 2014. Contam que só 200 milhões serão utilizados para modernização das arquibancadas, permitindo que o estádio seja esvaziado em apenas oito minutos, como deseja a Fifa. Que coisa! Eles pensam em tudo, menos no futebol. Ora, se isso é coisa de gente direita, diria a minha avó. Um mundo de gente, deixando um local em menos de dez minutos! Boa coisa elas não estariam fazendo nessa correria. Gozado, é esse o conceito que os donos do mundo têm dos seus clientes (sic), dos torcedores. Não me acostumo com esse negócio de chamar torcedor de cliente, nem trabalhador de colaborador. Cheira a blefe, a 1-7-1.
Parece que estou vendo. Vai aparecer um iluminado, um empresário engomadinho para anunciar que ganhou o leilão do Maracanã e vai pagar com dinheiro financiado por um BNDES da vida, com nosso dinheiro, pra falar no duro. Ou seja, vão nos bater a carteira de novo, como já fizeram com as telecomunicações, com as nossas mineradoras e por aí vai.
Que barbaridade!
Se não for causar muito trabalho me responder, me digam, por favor, se o novo dono do Maracanã vai deixar o pobre torcedor, aquele assalariado, fiel, que vai com sol ou chuva ver o seu time, entrar, de vez em quando, pra ver um joguinho? Bem, se não tiver nenhum show da Madonna agendado, temos chance.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ventou, choveu, cai a arrecadação!


Crise, que crise? Ouço depoimentos de amigos que as praias estão superlotadas. Os argentinos são muitos e os gaúchos e paulistas chegam em bom número. Chamei agora, no Jornal da Noite/Rádio Guarujá, a matéria da repórter Carla Cavalheiro. No seu microfone, o governador LHS disse, em alto e bom som, que o governo registra queda de arrecadação com a chuva que atingiu o Sul. Que mecanismo é esse que o governo tem? Em menos de 48 horas a receita diminuiu. Alguém acredita nisso? Será que não há um "desconfiômetro" no Centro Administrativo? É evidente que o governador está ensaiando o discurso para os Praças Militares de SC e para os professores que devem pedir justos reajustes para a Educação do Estado.
É impressionante. Não pode mais chover no Estado. Ventou, choveu, cai a arrecadação como um furacão. Nunca vi tanta rapidez para calcular prejuízo. Uma agilidade, uma pressa nunca registrada...
Triste ver tanta frieza de governantes que se utilizam da desgraça, do sofrimento alheio e de catástrofes, para fazer a política pequena, somente a seu favor. Esta é a política de que não gostamos, longe daquela sadia e insubstituível.
Uma pena.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O nosso Nobel inglês


Uma falha minha, não anotei o nome, vou ficar devendo aqui. Ontem à tarde, o pessoal da Rede Eldorado AM (1.420 kHZ) entrevistou um professor, um mestre em matemática de grande conhecimento e eloquência. Um belo papo. Peguei a entrevista pela metade, no carro. Só consegui saber que ele é da nossa UFSC. Vou atrás de seu nome e quero também entrevistá-lo, na Guarujá.
Ele fez um comentário interessante sobre como ainda estamos longe de ser um país de cultos, que valorize a ciência e a cultura. Contou que dia desses, numa palestra a cerca de 300 acadêmicos de uma universidade, foi criticado por ter uma visão tão pessimista sobre as possibilidades que evoluirmos. Foi, então, que o professor propôs uma pergunta à platéia para provar sua convicção:
- Qual o único brasileiro, em toda nossa história, que ganhou um Prêmio Nobel?
Ninguém soube responder, nem mesmo outros professores presentes.
O mestre, então, completou:
- Pois é pessoal. Ninguém aqui sabe que o brasileiro Peter Brian Medawar (foto) ganhou o Nobel de Medicina e Fisiologia, em 1960. Na Argentina, pra nossa vergonha, qualquer motorista de táxi sabe que quatro argentinos já ganharam o Nobel, retrucou o mestre matemático.
Pesquisei um pouco sobre o nosso “Brazuca Nobel”. Ele nasceu em Petrópolis/RJ, em 1915, e foi educado entre nós até a sua adolescência. Faleceu em 1987 e poderia ter vivido no Brasil, não fosse a proibição de entrar no País, imposta pelo governo, por conta de problemas que tinha com seu passaporte e o fato de não ter servido ao Exército, quando moço. Resolveu, então, nacionalizar-se britânico e ganhou da Rainha dos ingleses o título de “Cavaleiro do Reino”, passando a chamar-se Sir Peter Brian Medawar. Em muitas enciclopédias consta, apenas, que ele é inglês. Algo parecido com Albert Einstein, que era alemão, mas naturalizou-se norte-americano, em 1940, já famoso, quinze anos antes de morrer.
Bem feito pra nossa cara! O professor tem razão.

sábado, 3 de janeiro de 2009

O centro da Terra


Leio por aí que o homem anda furungando tanto o Planeta que dia desses encontraram, a cerca de 2 quilômetros para baixo da terra, vestígios do magma, essa massa de fogo que constitui o centro da Terra. Deve ter uma explicação parecida com esta da camada de pré-sal. Nosso centro terrestre não deve estar tão perto assim, mas encontramos uma reentrância e lá estava a lama vermelha.
Me lembrei, imediatamente, do “Journey to the Centre of the Earth” (Viagem ao Centro da Terra), do mago dos teclados Rick Wakeman, da década de 70. Aquilo era uma poesia musicada, uma metáfora, em tom de sinfonia, linda, majestosa, por suas harmonias, que nos causava ainda hoje uma sensação de grandeza interior, de como o homem é capaz de produzir a beleza, a arte única e precisa. Tive o privilégio de assistir este show, com uns 15 anos de idade, no Ginásio do Gigantinho, em Porto Alegre. O que vi e ouvi foi inesquecível!
Diante desta notícia, do encontro do magma, lembrei de Wakeman, mas a sensação que me veio foi a de medo, de pânico até, se pensarmos melhor o que isso pode significar.
Penso que o homem precisa reaprender a fantasiar, sem que isso tenha que se converter, exatamente, em realidade. Lennon não pode ter razão. Sonhos precisam continuar existindo.
Ouvi, um dia, de um psicoterapeuta que é preciso ter cuidado com a execução de fantasias. Todas aquelas luzes e cores que imaginamos, podem não acender, algumas. Este risco, muitas vezes, é perigoso demais. Cuidemo-nos, portanto.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Os bons programas


O Elmo escreve um comentário aqui, para o post “Candidatíssimo Protógenes”. Diz ele que “nos anos 80 aguardava o Roda Viva (Proprama da TV Cultura, Fundação do governo Paulista) como se fosse água no deserto, mas, a partir dos anos 90, com chegada ao poder do PSDB ao governo paulista, esse programa começou a definhar tendo seu enterro na entrevista feita com Gilmar Mendes recentemente”. É verdade Elmo, as pautas e os convidados têm sido os mais compadres possíveis, com raríssimas exceções. Ficamos torcendo pelo brilhantismo do entrevistado ou até pela sua bizarrice, como foi o caso da entrevista com o ex-governador Orestes Quércia, uma das campeãs do You Tube. O Elmo deve lembrar de outros grandes programas da televisão, como o “Crítica & Autocrítica”, na Bandeirantes, o “Abertura”, na Tupi e o Documento Especial, na Manchete. Bem, não queria parecer tão antigo, mas o Programa Flávio Cavalcanti (foto), na Tupi e depois no SBT, era uma boa parada.
Um abraço Elmo.

Avaliações de Joares

“A arrecadação do Estado está virando a casa de um bilhão/mês de reais”. A afirmação é do deputado estadual do PP, Joares Ponticelli, feita agora, no Jornal da Noite/Rádio Guarujá. Segundo o parlamentar oposicionista, o Governo de LHS não cumpre a Lei 254, que trata de uma equiparação salarial para os Praças Militares de SC, por que não quer, “não honra porque não tem vontade política de fazer”, sustenta Ponticelli. Finalizando, ao comentar o recado das urnas, em 2008, acha que todos ficaram na “planície, um recado de renovação”. Hugo Bihel e Angela Amin são os candidatos do PP colocados para o Governo do Estado, adianta o líder.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Um a zero para o prefeito


O vereador Jaime Tonello, do Democratas (foto) não escondeu o seu descontentamento minutos após a eleição de Gean Loureiro (PMDB) à presidência da Câmara Municipal de Florianópolis. Até o fim tentou ser candidato e acabou ficando de fora da chapa única. Chegou a denunciar esquemas do prefeito Dário Berger na eleição, como ofertas para seu secretariado e promessas para suplentes.
O ano começa quente, cheio de desafios.

Faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço

Interessante como são as coisas. Há quem reclame de comportamentos arrogantes e oportunistas dos outros, mas agem da mesma forma na sua seara.
Estive, com grande prazer profissional, junto com meu colega Júlio Castro, realizando uma cobertura de mais de cinco horas no ar, ao vivo, do Auditório Antonieta de Barros, da Assembléia Legislativa, na posse dos 16 vereadores, vice-prefeito e prefeito de Florianópolis. Transmitimos, em absoluta primeira mão, a eleição do vereador Gean Loureiro, do PMDB, à presidência da Câmara Municipal da Capital. Foi uma escolha cheia de lances, de ameaças, desistências e caras feias de parte da oposição a Dário Berger. No final, deu a lógica, mas teve toda uma história que mexeu com a expectativa de todos.
Mas, falava de uma estranheza, de como são as coisas. Chego em casa, visito os blogs mais descolados e vejo que há os tais “faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço”. Leio num deles o resultado preciso da eleição de Gean, incluindo até comentários políticos e uma agilidade jornalística brilhantes, não fosse o detalhe desta eficiência tratar-se de uma atenta audiência na Guarujá. No meio jornalístico, chamamos isto de “chupada” e ela fica mais constrangedora quando não é citada a fonte. É uma espécie de flertada com o papo alheio, para não usar expressão mais chula.
Feio isso, principalmente vindo de quem vem, logo quem critica tanto esta prática arrogante e pouco educada.

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