sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A “limpeza” da cidade. Que vergonha!

Não iria tocar no assunto, mas a cosmo ética quase me manda dizer alguma coisa sobre este projeto da Prefeitura de Florianópolis que irá cadastrar os moradores de rua da Capital.
Logo que li a manchete entendi que era algo novo, revolucionário até. Mas logo senti toda minha ingenuidade, acreditar que teríamos um gesto tão humanitário.
O que imaginei? Pensei que as nossas autoridades municipais, em parceria com as estaduais e até federais, iriam ajudar essas pessoas, dar-lhes abrigo, comida, educação e capacitação, com a intenção de reincluí-las entre nós.
Nada disso. Vão fazer um cadastro “parente” da Lista de Schindler. Não vão tratar ninguém. Não pretendem ajudar ninguém. Pelo contrário. Serão listados e mandados embora para suas cidades de origem, para recomeçarem as suas vidas desgraçadas, as quais lhes fizeram vir para cá, tentar alguma coisa melhor.
Só quem tem uma visão míope da vida entende que estamos “limpando” a cidade. Enxergam esses pobres coitados como montes de esterco, de lixo, que devem ser recolhidos e levados para longe, onde não os enxergaremos mais. Me causa espécie ler e ouvir alguém fazer a tese dos que não são daqui e nada trazem de bom para cá, como se esta ou qualquer outra terra fosse propriedade de alguém, fosse um gueto, um clubinho dos bons moços. Sei até de gente que sempre se disse comunista, socialista e que todos somos iguais. Enganadores! Não resistem a meia hora de farinha pouca e já esquecem tudo que disseram e escreveram na vida para apressarem o seu pirão mal feito e indigesto.
O triste fenômeno é simples: nós, sociedade, não fizemos a nossa parte, não elegemos gente competente para nos governar, sequer cobramos o bom comportamento deles. Em conseqüência disso vêm os erros, os roubos, escândalos e a miséria, prima-irmã disso tudo. O que fizemos? Nada! Olhamos pro lado, colocamos a culpa no vizinho mais perto e, no vacilo da ética, colocamos o problema para debaixo do tapete o mais rápido possível, como por exemplo, mandando essa gente das ruas pra sofrerem mais longe, onde nossos olhos não podem ver.
Para arrematar esse comportamento desumano, os apoiadores da ação ainda fazem a tese da “limpeza” da cidade, "desses que não são daqui."
Me admira muito essa gente. Eles são de onde, hein..?!
O Cazuza tem razão: “A tua piscina está cheia de ratos...!”

Um comentário:

pocahontas disse...

Prezado Marcelo, acompanho seu blog e falta pouco para decidir pela opção de incluir meu nome no acompanhamento do blog.
Com relação a limpeza, é uma pauta interessante e de longa discussão. Tanto é assim, que se os leitores do teu blog perceberem, não há um comentário.Nem a favor nem a desfavor. Verdadeiras suas palavras. O sentimento da solidariedade para os menos favorecidos'está completamente esquecido. porque não dizer, embaixo do tapete. Porque? porque é problema de dificil reparação. dificil porque não se quer olhar para o outro, olhar para o lado, só há o olhar para o ëu"não o 'nós".
Um comentário que dá nos dedos de muita gente. Como diz meu amigo Aldomiro, "com certeza".
Um abraço.

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