quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O real e impressionante caminho das Índias

Li quase numa tacada só e “viajei”, curioso, indignado e emocionado, lendo o livro de Stefânia Forner, “Chapatis e Dosas: meus dias na Índia”. É um relato corajoso, sensível e fiel da viagem que a autora fez à Índia, durante oito meses, para realizar estudos sobre a Aids naquele país. Ela é formada em Farmácia, faz seu mestrado e já avisa que vai ao doutorado para ser professora. Nasceu em Chapecó/SC e foi a Editora da Unoesc quem produziu uma obra de belíssima e criativa apresentação, com 158 páginas.

Apesar de apenas 26 anos de idade, Stefânia escreve com objetividade e elegância raras e consegue envolver o leitor, que se identifica e se apaixona facilmente com seu olhar sobre o fascinante e sofrido mundo indiano. Registra fatos com uma refinada visão crítica, ética e precisa, trazendo, ainda, um traço delicado e discreto de um romantismo pouco visto entre os novos talentos.

Reproduzo aqui o trecho que mais gostei. É parte do relato que faz da sua visita ao famoso Taj Mahal, na cidade de Agra. Apaixonem-se:

“...Fiquei perplexa pela beleza da obra de arte que estava na minha frente. Passeamos pelos jardins e ficamos três horas olhando o monumento que mudava de cor conforme muda a luz do dia. O Taj Mahal foi construído pelo imperador Shan Jahan na beira do Rio Yamuna e é um mausoléu para sua segunda esposa, Mumtaz Mahal, que faleceu no parto de seu 14° filho, em 1631. A construção iniciou nesse mesmo ano; 20 mil operários da Índia e da Ásia Central trabalharam para que seu término ocorresse em 1657. Logo após o término da construção, Shah Jahan foi preso pelo seu filho Aurangzab no forte de Agra. A lenda conta que passou o resto dos seus dias olhando, pela janela, o Taj Mahal e, depois de sua morte em 1666, Aurangzeb sepultou-o no mausoléu ao lado da esposa, gerando a única ruptura da perfeita simetria do conjunto.

O mausoléu é feito de mármore branco e pedras semi-preciosas, as quais são responsáveis pela mudança de cor conforme a luz do dia e o movimento do sol; possui inscrições do Alcorão e sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício possui duas mesquitas ao lado; é considerado a maior prova de amor do mundo, porém sua estrutura está fragilizada, o que levou o governo indiano a proibir qualquer indústria de se estabelecer em Agra e que carros andem perto da área em que o Taj Mahal está situado. O Taj Mahal é perfeito, como disse Rabindranath Tagore, grande poeta indiano, “o Taj Mahal é uma lágrima no limiar dos tempos.”

Antes de ler o livro, entrevistei Stefânia Forner na Rádio Guarujá e pude ver e ouvir alguém que foi a uma terra estranha e teve uma bela experiência com o infinito mistério do ser humano. Ela encerra o livro, revelando o que a Índia lhe fez:

“A viagem entre Visakhapatnam e Florianópolis levou quatro dias – entre os dias três e sete de setembro. Foi uma longa viagem entre esperas e escalas; quando cheguei ao meu país de origem, percebi que não sabia mais exatamente quem era, mas tinha a certeza de que foi uma jornada que me fez ser não uma pessoa melhor ou pior, apenas diferente.”

Pra quem se interessou e quer ler “Chapatis e Dosas: meus dias na índia”, pode-se achá-lo no Blog www.meusdiasnaindia.com.br, onde também encontra-se muitas fotos da viagem.

Um comentário:

autodivertida disse...

Marcelo, muito obrigada pelos elogios e pelas palavras.
Fico feliz que tenha gostado do livro! Um grande abraço! Stefânia

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