segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O desconfiômetro do Sarney pifou

Era só o que faltava mesmo. Os dirigentes de hoje do PMDB estão sugerindo que aqueles que estão pedindo a renúncia de Sarney peçam desfiliação do partido. O recado é para os senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos, espécies de trigo entre o joio que tomou conta do velho MDB.
Nunca fui preconceituoso com o Sarney, que cumpriu um papel importantíssimo na história recente do País, quando rompeu com a ditadura (PDS) e ajudou a enterrar os golpistas de 64.
Pra quem não lembra mais, o Sarney compôs um dos quadros mais ilustres de ministros quando foi presidente. Na Agricultura, Pedro Simon; na Justiça, Fernando Lira; na Fazenda, Dílson Funaro; e no Ministério da Reforma Agrária (inédito na nossa história, o qual nem Lula teve a coragem e criar), o “senhor-diretas” Dante de Oliveira, militante do MR-8. Claro que também tinha o Dr. Jorge Bornhausen na Educação, mas era um colegiado nitidamente progressista e foi protagonista de idéias arrojadas como o Plano Cruzado, congelamento de preços e até a moratória da dívida externa, bandeira de luta de toda a esquerda brasileira da época.
Em que pese esse respeito que tenho por Sarney, sem nenhum preconceito, repito, entendo que o velho perdeu o desconfiômetro e a noção sobre o momento que o País vive, no qual não cabe mais uma figura com o seu perfil. Ninguém é perfeito. Nem mesmo Pedro Simon – um político exemplar sob todos os aspectos, foi um governador vacilante, que não deixou marcas significativas no Executivo do Rio Grande do Sul, bem diferente de sua inigualável performance como parlamentar.
Sarney cumpriu o seu papel histórico já faz tempo. Agora, desempenha uma ponta de coadjuvante constrangedora na cena política nacional, pra dizer o mínimo. Deveria estar em casa, há muito tempo.
De resto, o Pedro Simon continuará a dar um banho de ética nesse pessoal todo. Vamos assistir de cadeira, em alguns dias, a queda de Sarney.

Um comentário:

NEWTON JUNIOR disse...

Bem vindo Marcelo das férias! Penso que o Sr. Sarney merece respeito apenas pela sobriedade na transição da ditadura para a democracia (mesmo assim tenho algumas desconfianças). Lembro que as escolhas para ministro sempre passaram muito mais pelos acertos com os partidos do que pelas preferências pessoais dos presidentes.
Vejo que o Sr. Sarney é um dos representantes da política tradicional que se acha acima do bem e do mal e que defende com rigor a manutenção de um dos maiores problemas brasileiros: O sistema, que deixa o executivo nas mãos do legislativo em nome da governabilidade.
Hoje, somente confio e respeito um político: Eduardo Suplicy.
Essa é minha modesta opinião.
Abs
Newton

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